- Estudo aponta que lagoas no pântano da Bacia do Congo liberam carbono antigo, através de CO₂ outgassing, de lagos formados em áreas de turfeira.
- Os lagos Mai Ndombe e Tumba, grandes lagos de água negra, foram usados para medir as emissões e entender as fontes do carbono.
- Cerca de quarenta por cento do carbono liberado parece ter entre dois mil e três mil e cinqüenta anos de idade.
- Os pesquisadores sugerem dois caminhos: micro-organismos que quebram material recente e um segundo processo, ainda hipotético, que libera carbono antigo a partir do interior da turfeira, resultando em CO₂ e metano.
- O estudo destaca a importância de compreender a estabilidade atual das turfeiras do Congo e como a mudança climática pode afetar esse estoque de carbono, com implicações para modelos climáticos e conservação.
As áreas alagadas do Congo Central guardam uma reserva de carbono de grande impacto climático. Recém-mapeadas há cerca de uma década, as pântanos de Cuvette Centrale armazenam cerca de 30 bilhões de toneladas de carbono, em uma extensão equivalente à da Inglaterra.
Novas pesquisas indicam que parte desse carbono muito antigo pode retornar à atmosfera por meio de lagos formados nas zonas de peat bols, funcionando como uma chaminé natural de CO2. A descoberta levanta perguntas sobre o ciclo do carbono nessas zonas.
Em Lake Mai Ndombe e Lake Tumba, amostras de água de lagos negróides foram analisadas para entender a origem do CO2 que exala dessas massas de água. O estudo foi publicado em 23 de fevereiro na revista Nature Geoscience.
O grupo liderado por Travis Drake, do ETH Zurich, utilizou datação por radiocarbono para traçar a idade do carbono que difunde para o ar. Surpreendentemente, quase 40% do CO2 proviria de carbono de peat arcaico, com idades entre 2 mil e 3,5 mil anos.
A equipe descreve dois caminhos potenciais para a liberação de carbono. O primeiro envolve microrganismos que degradam matéria vegetal recente, gerando CO2. O segundo envolve a decomposição de carbono antigo no interior do peat, liberando CO2 e metano que, por fim, se oxida a CO2 no lago.
Especialistas externos consideram plausível o papel do metano na liberação de carbono antigo, embora reconheçam a necessidade de mais pesquisas para entender os mecanismos exatos de formação do metano e das vias de liberação.
A pesquisa reforça a importância de entender a estabilidade atual dos peatlands do Congo e se mudanças climáticas podem torná-los emissores de carbono em vez de reservatórios. O estudo também destaca lacunas sobre os processos que mantêm esse carbono armazenado.
Segundo os autores, o carbono armazenado nas bacias do Congo equivale a aproximadamente o que o mundo emite em três anos de queima de combustíveis fósseis. Isso ressalta a relevância de conservar e, se possível, reverter a drenagem dessas áreas para evitar perdas de carbono.
Os pesquisadores ressaltam que o modelo climático atual não incorpora com detalhamento suficiente esse patamar de carbono em peatlands. Entender melhor esses mecanismos pode ampliar a compreensão sobre o papel dessas zonas no aquecimento global.
A equipe também aponta que, no Congo, grande parte dos pântanos permanece relativamente intacta, diferente de regiões da Ásia que passaram por drenagem para agricultura. A preservação é vista como estratégica para manter o carbono isolado da atmosfera.
Para avançar, os cientistas sugerem estudos focados em como o nível de drenagem, a qualidade da vegetação e as condições climáticas influenciam as emissões de CO2 e de metano nos sistemas de peat. A pesquisa é considerada relevante para políticas públicas de clima e conservação.
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