- Durante a CMS-15, governos e sociedade civil no Brasil reconheceram pela primeira vez, em escala global, as rotas oceânicas de migração de aves marinhas, chamadas de marinhas flyways.
- Pesquisas da BirdLife International identificaram seis grandes flyways, usadas por mais de 150 espécies de aves marinhas em 54 países, ligando oceanos, ecossistemas e hemisférios.
- A distância percorrida por espécies como a andorinha-do-mar tônica pode chegar a quase 100 mil quilômetros por ano; muitas espécies enfrentam ameaças globais que afetam sua sobrevivência.
- As flyways oferecem um quadro de cooperação para priorizar ações, como criação de áreas marinhas protegidas, erradicação de espécies exóticas e práticas pesqueiras mais seguras.
- Em 11 de setembro de 2026, a BirdLife International promoverá a segunda Global Flyways Summit em Nairobi para acelerar parcerias e ações conjuntas, alinhadas a acordos internacionais de biodiversidade.
Last week, governos, conservacionistas e sociedade civil reuniram-se no Brasil para a CMS-15, a 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre Espécies Migratórias. O encontro formalizou a criação de rotas marinhas de migração, um mapa global que pesquisadores já defendiam há décadas. A decisão marca uma mudança relevante na conservação oceânica.
A BirdLife International apresentou dados que identificam seis grandes corredores marinhos usados por mais de 150 espécies de aves marinhas, em 54 países. Entre os viajantes estão o albatroz, o petrel e o maçarico, que percorrem milhares de quilômetros entre hemisférios e oceanos.
Essas rotas não são linhas abstratas. São vias vivas que conectam áreas de alimentação, zonas de reprodução e regiões de observação de biodiversidade. Se perdermos esses caminhos, perdemos parte da própria fauna marinha global, segundo especialistas.
A iniciativa destaca a importância de áreas-chave de biodiversidade, ou KBAs, ao longo das rotas. Essas áreas ajudam a orientar ações de conservação onde há maior impacto, como controle de espécies invasoras e proteção de habitats críticos.
Entre as ameaças aos seabirds, destacam-se: predadores invasivos em ilhas de reprodução, capturas acidentais em pesca, mudanças climáticas que afetam a disponibilidade de alimento e poluição que deteriora ecossistemas. A cooperação entre países é essencial.
O novo estado de cooperação reconhece que rotas compartilham responsabilidades. As rotas marinhas servem como estrutura unificada para alinhar prioridades, financiamentos e ações de conservação entre governos, empresas e comunidades.
A adoção do plano também se conecta a acordos globais, como o Quadro Global de Biodiversidade de Kunming-Montreal e o tratado sobre águas internacionais. O objetivo é aproximar políticas de conservação de forma prática e mensurável.
Como próximos passos, pesquisadores destacam ações como erradicação de espécies invasoras, criação de áreas protegidas no mar e práticas pesqueiras mais seguras. Tudo com base em dados de monitoramento e cooperação multilateral.
Em 11 de setembro de 2026, a BirdLife International promoverá a Second Global Flyways Summit, em Nairóbi, permitindo que governos, cientistas e organizações alinhem intervenções e compartilhem avanços. O foco será a proteção de aves marinhas ao longo de todo o percurso migratório.
O CMS-15 abriu uma oportunidade para ampliar a cooperação transnacional. O objetivo é manter o status de oceanos saudáveis por meio de ações coordenadas, com base em evidências científicas e compromissos legais. A preservação desses voos marinhos depende dessa parceria global.
A identidade dessas rotas já está documentada. Agora, a prioridade é transformar o conhecimento em políticas públicas eficazes e em ações concretas para conservar as aves marinhas e os ecossistemas oceânicos que elas utilizam.
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