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Pradarias e áreas úmidas perdem para agricultura 4x mais rápido que florestas

Entre 2005 e 2020, 190 milhões de hectares de ecossistemas não florestais foram convertidos, principalmente para pastagens e culturas para exportação, com Cerrado em destaque no Brasil

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  • Estudo aponta que ecossistemas não florestais — pradarias, savanas, matas e áreas úmidas abertas — estão virando pastagens e lavouras a um ritmo quatro vezes maior que o das florestas.
  • Entre 2005 e 2020, foram convertidos 190 milhões de hectares, área quase do tamanho do México.
  • A maior parte dessa transformação ocorreu para pastagens e plantações destinadas à alimentação humana e animal.
  • O Brasil lidera a lista, respondendo por 13% da conversão de áreas não florestais, com grande parte no Cerrado.
  • Pesquisadores ressaltam que o foco exclusivo em florestas faz com que ecossistemas não florestais sejam vistos como descartáveis, além de removerem parte de suas funções para exportação de soja e milho.

O estudo revela que ecossistemas naturais como savanas de gramíneas, savanas abertas e áreas úmidas estão sumindo para receber pastagens e lavouras em escala global. O ritmo de conversão é quatro vezes maior do que o observado em florestas, ao longo de 15 anos, entre 2005 e 2020.

Entre 2005 e 2020, 190 milhões de hectares de ecossistemas naturais foram convertidos, em sua maioria para pastagens e plantações. A área equivale quase ao tamanho do México e aponta para um incremento pressionado por políticas que protegem apenas florestas.

O estudo, publicado recentemente, aponta que políticas restritas às florestas estimulam a expansão agrícola em ecossistemas não florestais de grande importância ecológica, como gramíneas e áreas úmidas abertas.

Principais resultados

Metade dos ecossistemas não florestais foi perdido para pastagens, 27% para plantações e 17% para alimentação animal. As gramíneas respondem por um terço dos hotspots de biodiversidade global.

Além de abrigarem biodiversidade, gramíneas guardam entre 20% e 35% das reservas globais de carbono. Ao todo, o Cerrado brasileiro figura entre os danos mais significativos, liderando a conversão de território não florestal.

O estudo aponta o Brasil como líder na conversão de não florestas, respondendo por 13% do TOTAL mundial. A maior parcela de perdas brasileiras ocorre no Cerrado, ecossistema com extensa rede de raízes profundas que armazena carbono e água.

Desafios metodológicos e ligação com o comércio

A perda de áreas de gramíneas é mais difícil de medir do que a de florestas, devido a limitações técnicas como imagens de satélite com menos detalhes. A pesquisa utilizou imagens de 30 metros de resolução para identificar áreas convertidas.

Ao vincular a conversão a culturas como soja e milho, os autores mostraram que grande parte dessas áreas está destinada à exportação. No Brasil e na Argentina, entre 70% e 80% das culturas derivadas de terras convertidas são para exportação.

Os autores argumentam que a focalização na proteção de florestas faz com que ecossistemas não florestais sejam tratados como descartáveis, sem inclusão em políticas de proteção. Além disso, não-forestais são com frequência mal classificados como florestas degradadas ou terras pouco produtivas.

Essa misclassificação aumenta a probabilidade de conversão para agricultura ou de receber iniciativas de plantio de árvores, segundo o estudo. As descobertas destacam a necessidade de incluir gramíneas e áreas úmidas abertas em políticas de conservação.

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