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O aquecimento global já afeta o dia a dia em todo o mundo, aponta estudo

Calor extremo já restringe atividades diárias em várias regiões; idosos são os mais afetados, com horas de calor passando de seiscentas para novecentas por ano

Research finds that there are already places on Earth where it gets so hot and humid at times during the year that it’s unsafe for either younger or older adults to do more than lie down or sit outdoors. Photo by NOAA.
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  • Estudo analisa 75 anos de dados climáticos (1950 a 2024) e mostra que o aquecimento global já limita atividades diárias em várias regiões do mundo, com impactos maiores para pessoas idosas.
  • A média global de horas por ano em que o calor impede atividades aumentou, dobrou para adultos mais jovens desde a década de cinquenta; para maiores de 65 anos, subiu de cerca de 600 para aproximadamente 900 horas por ano.
  • Regiões como sul da Ásia, nordeste da África, sul da América do Sul e partes da Austrália já apresentam “limitações extremas de vivibilidade” até mesmo para adultos jovens.
  • O estudo utiliza o modelo HEAT-Lim (limites de adaptação humano-ambiental) para avaliar, com base em dados climáticos, se as pessoas conseguem realizar atividades diárias sem elevação perigosa da temperatura corporal.
  • Autores destacam que, conforme as temperaturas continuam a subir, as limitações devem se tornar mais comuns e afetam desproporcionalmente idosos e habitantes de áreas tropicais e subtropicais.

O estudo mostra que o aquecimento global já afeta a vida cotidiana em escala global. Pesquisadores analisaram 75 anos de dados climáticos, de 1950 a 2024, para medir quanto o calor forte restringe atividades diárias. O trabalho usa um modelo fisiológico de calor para avaliar o que as pessoas conseguem fazer no dia a dia.

A pesquisa revela que, desde os anos 1950, a média global de horas por ano com calor que limita atividades aumentou. Entre adultos mais jovens, o tempo quase dobrou; entre pessoas com 65 anos ou mais, subiu de cerca de 600 para 900 horas anuais. O fenômeno não é homogêneo pelo mundo.

Regiões de uso intenso do calor já enfrentam limitações graves, mesmo para jovens. Sul da Ásia, parte da África Ocidental, Sul da América do Sul e partes da Austrália aparecem com o que os autores chamam de “limitações extremas de habitabilidade”.

Principais números e métodos

Os autores adotaram o HEAT-Lim, modelo desenvolvido por Jeni Vanos, para estimar a influência do calor e da umidade na prática de atividades diárias. O estudo não se fixa apenas na temperatura, mas também na capacidade de adaptação humana ao calor.

Os pesquisadores cruzaram dados climáticos com cenários de dia a dia, como caminhar, trabalhar ao ar livre e realizar tarefas básicas. O objetivo foi mensurar quando o calor impede atividades sem choques térmicos graves.

Implicações por faixa etária

Entre idosos, as áreas com “limitações de habitabilidade” são amplas, especialmente em regiões tropicais e subtropicais. Com isso, há maior probabilidade de restrições para atividades rotineiras ao ar livre.

Segundo os autores, aproximadamente 35% da população global já vive em áreas onde o calor máximo anual restringe fortemente atividades de jovens. Entre idosos, o índice sobe para cerca de 78%.

Região e contextos locais

Algumas zonas apresentam números ainda maiores. No Persian Gulf, África Subsariana e partes da Ásia e da América do Sul, horas de calor que inviabilizam atividades podem chegar a quase 2.000 a 3.000 por ano para idosos.

Os resultados destacam a necessidade de direcionar recursos de adaptação para grupos vulneráveis e locais com maior exposição ao calor extremo, segundo especialistas não envolvidos no estudo.

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