- Um estudo do Massachusetts Institute of Technology prevê que o phytoplâncton polar ficará menos rico em proteínas e mais carregado de carboidratos e lipídios conforme as temperaturas superficiais do oceano aumentam.
- Em um cenário de emissões contínuas até 2100, o modelo projeta, para as regiões polares, uma queda de proteínas e aumento de carboidratos e lipídios em cerca de vinte por cento, com redução geral de nutrientes.
- O trabalho, publicado na Nature Climate Change, combina dados de laboratório com modelos de circulação oceânica e cobertura de gelo para simular as mudanças na composição do phytoplâncton.
- A mudança na base da cadeia alimentar marinha é incerta em termos de impactos, já que alguns organismos podem sofrer com menos proteínas enquanto outros podem se beneficiar do estoque de lipídios.
- Em áreas subtropicais, a biomassa de phytoplâncton pode cair até cinquenta por cento, com a circulação oceânica mais lenta reduzindo o aporte de nutrientes.
Doenças do oceano podem surgir com o aumento da temperatura: pesquisadores da MIT simulam que o fitoplâncton passe a ter mais carboidratos e menos proteínas. O estudo, divulgado hoje na Nature Climate Change, aponta mudanças na base da cadeia alimentar marinha.
Segundo o modelo desenvolvido pelos autores, o aquecimento global até 2100 pode elevar a temperatura da superfície marinha em cerca de 3 °C, reduzir a cobertura de gelo e diminuir a circulação oceânica, reduzindo o suprimento de nutrientes.
A previsão aponta queda na quantidade de proteínas do fitoplâncton polar, com ganho relativo de carboidratos e lipídios, resultado de adaptações à maior disponibilidade de luz e menor gelo. A mudança pode atingir cerca de 30% no teor proteico.
Na prática, as regiões polares devem registrar aumento da biomassa de fitoplâncton, porém com composição nutricional alterada. A pergunta ainda é como isso afeta o restante da cadeia alimentar marinha, incluindo espécies dependentes de proteínas.
Em áreas subtropicais e de latitudes mais altas, a projeção indica queda de até 50% na população de fitoplâncton. A circulação reduzida dificulta o upwelling de nutrientes, levando a uma possível mudança para organismos com composição proteica ligeiramente maior.
O estudo utiliza dados de laboratório da Dalhousie University sobre a relação entre temperatura, luz e nutrientes, integrados a modelos de circulação e dinâmica oceânica do MIT. A comparação com amostras de campo já mostra tendência de carboidratos e lipídios mais presentes.
Entre os autores estão Shlomit Sharoni, Mick Follows e Stephanie Dutkiewicz, do MIT, além de pesquisadores da University of Rhode Island, Dalhousie University e UC Davis. O apoio financeiro veio, em parte, da Simons Foundation.
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