- Documentos obtidos por meio de FOIA mostram que a indústria química influenciou a EPA para enfraquecer regras contra a formaldeído, carcinógeno comum em produtos de uso cotidiano.
- A EPA de Biden, em 2024, concluiu que qualquer exposição ao formaldeído aumenta o risco de câncer; a administração de Trump, em 2025, tentou revertê-lo, adotando limites considerados menos protetores.
- Estudos de Rory Conolly, financiados por grupos do setor, foram usados para justificar posições que aceitavam níveis de exposição mais altos; a EPA anterior os classificava como desatualizados ou pouco confiáveis.
- Documentos indicam uma reunião de três dias em 2023 entre a EPA, produtores e associações, com Conolly entre os apresentadores.
- Críticos afirmam que houve “ cherry-picking ” de dados para favorecer os interesses da indústria, enquanto a EPA sustenta que as mudanças se baseiam em ciência mais sólida e visam ampliar proteções.
A produção de documentos revela um esquema da indústria química que influenciou a regulamentação do formaldeído, um carcinogênio comum presente em cosméticos, móveis e materiais de uso cotidiano. Os papéis mostram apoio a mudanças nas regras durante a gestão Trump, em meio a pressões industriais.
O material, obtido por meio de FOIA pela Environmental Defense Fund (EDF), aponta uma ação coordenada entre produtores, usuários e associações de comércio para enfraquecer as proteções. A EPA, sob Biden, afirmava que qualquer exposição aumenta riscos de câncer; já a administração anterior revisou esses números.
Entre os itens destacados, há um uso intenso de estudos liderados por Rory Conolly, cientista ligado à indústria, que defendia que parte da exposição era aceitável. Dados de 2008 a 2024 indicam que a EPA considerou esses trabalhos desatualizados ou pouco confiáveis no passado.
Após a mudança de gestão em 2025, a EPA reavaliou os níveis de risco e alinhou-se parcialmente aos argumentos de Conolly. As novas projeções reduzem a proteção baseada em dados de outras pesquisas e em avaliações anteriores da agência.
As fontes indicam que a argumentação da indústria se apoiou em avaliações de apenas alguns estudos, com dados limitados de pesquisadores independentes. Observadores afirmam que houve seleção de informações para justificar o enfraquecimento da regulação.
O conjunto de documentos também descreve uma reunião de três dias, em 2023, envolvendo a EPA, produtores e representantes do setor, com a participação de Conolly. O encontro é visto como exemplo de influência da indústria sobre decisões regulatórias.
A EPA sustenta que a mudança buscou bases científicas mais sólidas e uma proteção ampliada por meio de dados considerados de maior qualidade. Pesquisadores independentes e defensores da saúde pública questionam esse recuo e alertam para aumentos potenciais na exposição à substância.
Partes envolvidas discutem possíveis impactos de longo prazo na política regulatória de carcinógenos. Em especial, analistas veem a possibilidade de revisões semelhantes para outros agentes tóxicos, com consequências para proteção da saúde pública.
Especialistas apontam conflitos de interesse, com ex-líderes da indústria ocupando agora posições-chave na área de segurança química da EPA. A matéria enfatiza que decisões poderiam favorecer interesses comerciais em detrimento de padrões mais rigorosos.
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