- Mais de quatro meses após o derramamento de águas residuais de uma mineradora em Lubumbashi, moradores dizem continuar impactados, com danos a culturas, água e saúde.
- O incidente ocorreu em 4 de novembro de 2025, atingiu bairros vizinhos e rios, levou a uma suspensão de três meses e à necessidade de reparos ambientais; até o momento, o governo não autorizou a retomada das operações.
- O governo anunciou medidas de assistência à saúde e de compensação, mas há pouca clareza sobre a implementação prática e o número de beneficiários, com temores de ficarem de fora.
- Em Golf e Kamayibwe, agricultores relatam culturas danificadas, água ácida em poças e poços inutilizados; há relatos de irritação na pele e problemas de saúde entre moradores.
- Em compensação, o Ministério de Mineração ordenou pagamento de US$ 6 milhões, mas vítimas cobram US$ 100 milhões para um centro médico ligado a impactos minerários; governo divulgou que 670 pessoas foram registradas para tratamento e 350 famílias, assistidas.
O cruzamento de informações capturadas pela Mongabay aponta que, mais de quatro meses após a descarga de águas residuais de uma mina em Lubumbashi, moradores ainda sofrem com os impactos da poluição. O acidente ocorreu em 4 de novembro de 2025, na usina de retenção da Congo Dongfang International Mining CDM, subsidiária da Zhejiang Huayou Cobalt. O derramamento atingiu bairros periféricos e comprometeu cursos d’água locais.
O governo anunciou uma suspensão de três meses para reparos ambientais e indenizações, mas ainda não autorizou a retomada das operações. Em 13 de fevereiro, comissões interministeriais divulgaram recomendações sobre assistência à saúde, tratamentos e um processo de compensação, sem detalhes sobre pagamento e beneficiários.
Impactos na agricultura e água
Moradores de Golf-les-Battants relatam queda na produção de hortaliças após a água ácida alcançar jardins comunitários. Folhas de repolho, amaranto e batata-doce apresentam danos, com áreas de água estagnada perto do rio Lubumbashi. Vários cultivos foram abandonados por medo de contaminação do solo.
Sintomas e saúde local
Em Camp Scout, Kamisepe II, moradores descrevem irritação cutânea e ardência ao contato com a água ácida, levando ao uso de sandálias para amenizar o desconforto. Muitos não conseguiram consultar médicos por limitações financeiras, prejudicando o diagnóstico.
Poços e água doméstica
Em Kamayibwe, um poço improvisado ficou exposto e contaminado, levando moradores a substituí-lo por água imprópria para usos domésticos. Profissionais locais ressaltam que resíduos mineiros contêm substâncias nocivas, como metais pesados, que podem afetar saúde e agricultura.
Compensação e responsabilização
Alguns moradores afirmam que o ministro de minas prometeu indenizações; em janeiro, o IRDH informou decisão de pagamento de 6 milhões de dólares, considerada insuficiente pelos afetados. Localmente, pedem 100 milhões de dólares para cobrir danos a longo prazo.
Situação atual e próximos passos
Um relatório de 13 de fevereiro aponta 670 atendimentos no hospital Sendwe por sintomas de água contaminada e 350 famílias assistidas, com distribuição diária de 30 mil litros de água potável. A população ainda aguarda reconhecimento como vítima e acesso a apoio.
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