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Desmatamento explica grande parte da queda de chuvas na Amazônia

Deflorestação no sul da Amazônia explica entre 52% e 72% da queda de chuvas nas últimas quatro décadas, agravando a seca e impactos regionais

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  • Estudo na Nature Communications aponta que entre cinquenta e dois por cento e setenta e dois por cento da queda de chuva no sul da Amazônia, nas últimas quatro décadas, é atribuída ao desmatamento, com queda anual de oito a onze por cento entre 1980 e 2019.
  • A redução de chuva não é local: o desmatamento em regiões a jusante na América do Sul também diminui a umidade que chega ao sul.
  • Desde 1985, a cobertura florestal natural da América do Sul caiu cerca de dezessete por cento; na Amazônia brasileira, aproximadamente um quinto da floresta foi perdido entre 1970 e 2019.
  • O estudo liga a perda de floresta à diminuição da evapotranspiração que sustenta a chuva: cada perda de um por cento na área florestal do sul da Amazônia apresenta queda de cerca de seis milímetros de chuva por ano.
  • A restauração de florestas é citada como caminho para aumentar a chuva, com necessidade de políticas públicas, envolvimento de comunidades locais e povos tradicionais.

O estudo publicado na Nature Communications aponta que o desmatamento é responsável por grande parte da queda de chuva na porção sul da Amazônia nas últimas quatro décadas. Entre 1980 e 2019, a precipitação anual caiu entre 8% e 11%.

A pesquisa utiliza dados de satélite, medições de evapotranspiração e rastreamento de vapor de água para mostrar que a perda de floresta não ocorre apenas localmente. Mudanças em áreas a montante também reduzem a umidade transportada para o sul.

Entre 1982 e 2016, a região sul da Amazônia registrou queda de 3,9 a 5,4 mm de chuva por ano, em média. Ao mesmo tempo, houve perda média de 7,7% da cobertura florestal, intensificada por atividades humanas como manejo de madeira, agricultura e mineração.

Os autores atribuem de 52% a 72% da redução pluvial à mudança no uso da terra no bioma. A influência alcança regiões vizinhas, que alteram o transporte de umidade rumo ao sul da Amazônia.

Em entrevista, o coautor Jiangpeng Cui afirma que o estudo combina dados observacionais com rastreamento de vapor para entender como a devastação altera a circulação de vapor entre regiões. A conclusão é que impactos precisam ser considerados além do entorno imediato.

Modelagem e incertezas

Os pesquisadores destacam que modelos climáticos atuais tendem a subestimar o efeito da perda de floresta sobre a chuva, sobretudo pela representação da evapotranspiração e do transporte atmosférico de umidade. Em comparação com análises anteriores, a nova abordagem sugere deficiências de até 50%.

Para obter uma visão mais completa, o time usou um modelo de rastreamento de vapor, calibrado com dados observacionais de precipitação, evapotranspiração e uso do solo entre 1982 e 2016. O objetivo é melhorar projeções de futuras mudanças climáticas na região.

Caminhos de mitigação

Os autores apontam a reflorestação como uma possibilidade de recuperar parte da chuva e da umidade atmosférica. Estudos de modelos indicaram aumento sazonal de até 5 mm de chuva por dia em áreas reflorestadas, segundo pesquisadores que lideraram simulações.

Além de reflorestamento, especialistas defendem restauração coordenada do território e estímulos a comunidades locais. Agroflorestas podem conciliar restauração e formas de sustento, contribuindo para reequilibrar o ciclo hidrológico regional.

O estudo reforça que políticas públicas devem usar evidências científicas para orientar decisões sobre uso do solo, com foco na resiliência da Amazônia e na proteção de comunidades dependentes da região.

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