- O Estados Unidos, maior emissor de carbono da história, causou $10tn em danos globais desde 1990, segundo estudo na Nature.
- Aproximadamente um quarto desse dano ocorreu dentro dos próprios EUA.
- A Índia sofreu $500bn e o Brasil $330bn em danos econômicos desde 1990, conforme a pesquisa.
- O estudo tenta quantificar perdas e danos ligados ao aquecimento global provocados pela queima de combustíveis fósseis.
- Especialistas destacam a responsabilidade dos países ricos e a necessidade de apoio financeiro para nações mais vulneráveis.
O estudo publicado na Nature calcula o dano econômico global provocado pelas emissões de carbono dos EUA desde 1990 em cerca de US$ 10 trilhões. O país, maior emissor histórico, é apontado como responsável por grande parte dessa perda mundial.
Segundo a pesquisa, cerca de um quarto desse dano ocorreu dentro dos Estados Unidos, mas países pobres sofreram impactos expressivos. Índia e Brasil registram, respectivamente, US$ 500 bilhões e US$ 330 bilhões em perdas atribuídas às emissões dos EUA desde 1990.
Os autores destacam que o cálculo se baseia em prejuízos econômicos do aquecimento global, associando parte do declínio de GDP às mudanças climáticas. O método considera perdas acumuladas ao longo de três décadas.
O pesquisador-chefe, da Universidade de Stanford, afirma que as emissões americanas trouxeram danos não apenas para o próprio país, mas para diversas regiões globais. O estudo reforça a ideia de responsabilidade histórica no tema.
Especialistas ouvidos pelo trabalho observam que o acúmulo de emissões aumenta os custos sociais do carbono e podem justificar ações de financiamento a nações mais vulneráveis. A discussão envolve perdas por calor extremo, enchentes e secas.
O estudo não conclui sobre consequências totais de temperaturas altas, mas aponta impactos na atividade econômica e na saúde pública. Ele também contextualiza o papel de políticas históricas na forma de responsabilizar os emissores.
A pesquisa ocorre em meio a debates sobre reparação financeira e apoio internacional. Países menos favorecidos têm defendido maior assistência para lidar com perdas e danos decorrentes do aquecimento global.
A obra destaca ainda que o histórico de emissões incentiva avaliações sobre como alocar custos sociais do carbono no longo prazo. Autores defendem que tais custos devem refletir impactos passados e futuros.
Frances Moore, estudiosa da UC Davis, comentou que a abordagem é útil, mas pode subestimar danos em países pobres. Ela ressalta que impactos sobre bem-estar podem variar significativamente entre cidadãos de diferentes rendas.
O artigo reforça que a forma de medir danos depende de hipóteses econômicas e de distribuição de renda. Ainda assim, ele solicita maior atenção internacional para a responsabilidade histórica dos grandes emissores.
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