- A empresa de óleo de palma PT Equator Sumber Rezeki (ESR) ampliou o desmatamento em Kapuas Hulu, West Kalimantan, dentro de uma câmara de biosfera designada pela UNESCO, sobre habitat de orangotango.
- Do total, 3.063 hectares já foram derrubados na área licenciada, com adicional de 1.492 hectares no último trimestre de 2025, elevando o esforço de desmatamento no ano.
- O corredor Labian–Leboyan, que liga Betung Kerihun e Danau Sentarum, abriga parte do habitat de orangotangos; autoridades identificaram áreas de habitat de orangotango dentro da concessão.
- Existem conflitos de terra com comunidades locais: várias aldeias têm territórios sobrepostos; há questionamento sobre a posse de permissões (HGU) e sobre áreas de peat baixo documentadas como não declaradas no pedido.
- ESR pertence ao First Borneo Group, alvo de críticas de grupos ambientais por suposto desmatamento em várias concessões; autoridades e organizações não governamentais ressaltam a necessidade de ações para proteger o habitat de orangotangos.
O desmatamento em um corredor de orangutans na ilha de Borneo avança dentro de uma concessão de palmeiras de PT Equator Sumber Rezeki (ESR), segundo imagens de satélite e informações oficiais. A área fica dentro de uma zona de biosfera reconhecida pela Unesco, na região de Kapuas Hulu, West Kalimantan.
Análise de Satya Bumi indica que, entre outubro e dezembro de 2025, ESR derrubou mais 1.492 hectares de floresta, aumentando o total a 3.063 hectares desde o início de 2025. Em 2025, a área desmatada já havia somado 1.892 hectares identificados como habitat de orangutans.
O corredor Labian–Leboyan liga Betung Kerihun e Danau Sentarum, parques nacionais que abrigam orangutans em risco de extinção. A área faz parte da Reserva de Biosfera Betung Kerihun–Danau Sentarum, onde há grande diversidade de fauna e recursos para comunidades Dayak locais.
A visão de autoridades é de manejo integrado: a presença de habitat de orangutans dentro da concessão é reconhecida, mas não houve anúncio de pausa na retirada de florestas. Propostas feitas incluem criar pockets de habitat fora da concessão e áreas de valor de conservação (HCV) dentro da área licenciada.
Entretanto, especialistas ressaltam que a aplicação prática de HCV depende de ações efetivas; definir áreas apenas para cumprir porcentagens pode não beneficiar os orangutans se não houver conectividade com florestas protegidas. As ações, quando bem implementadas, podem ampliar a conectividade do corredor.
Dados oficiais sobre permissões permanecem em aberto. Relatórios da LinkAR Borneo indicam que o HGU (permiso de cultivo) de ESR estaria em processo, embora a empresa tenha IUP (permissão de plantation) em vigor. Partes da concessão aparecem com HGU apenas após decisão formal.
A disputa territorial envolve comunidades locais. Cinco vilarejos têm áreas que cruzam a licença da ESR, com relatos de acordos com a empresa em algumas circunscrições, enquanto outras áreas permanecem sob controle comunitário. A divergência aponta para tensões entre governança, terras comunitárias e licenciamento.
Grupos ambientais alertam que a retirada de habitat pode aumentar fragmentação e conflitos entre humanos e fauna. Em meio às evidências, organizações pedem medidas rápidas para proteger a vegetação nativa e reduzir impactos sobre os orangutans.
A ESR pertence ao First Borneo Group, controlando diversas concessões na região. Órgãos e organizações internacionais apontam para gaps de fiscalização e monitoramento, o que facilita a entrada de produtos derivados de desmatamento em cadeias de fornecimento globais. Autoridades e a empresa não comentaram amplamente sobre os desdobramentos do caso.
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