- Pesquisadores registraram pela primeira vez em mais de duas décadas a visão de dhole, cão selvagem avermelhado, no Vietnã, na Pu Hoat Nature Reserve, Nghe An, na véspera de Ano Novo de 2023.
- O animal foi visto em imagens de armadilhas fotográficas; apenas um adulto foi detectado e a espécie era considerada localmente extinta pela Lista Vermelha da IUCN.
- Ao todo, foram realizadas 49 pesquisas de grande escala e mais de 260 mil registros de armadilhas em 31 locais, sem outras ocorrências de dholes.
- Especialistas atribuem a provável extinção local à armadilhagem com arame, prática de caça industrial que ameaça predadores de grande porte e a base alimentar.
- A presença próxima à fronteira com Laos, a 4,2 quilômetros, sugere Pu Hoat como refúgio potencial e reforça a necessidade de patrulhas, redução da demanda por produtos de wildlife e maior participação comunitária para a recuperação.
O dhole, cão-doninha de origem asiática, foi avistado no Vietnã pela primeira vez em mais de duas décadas. A confirmação ocorreu via imagens de câmeras armadouras no Pu Hoat Nature Reserve, na província de Nghệ An, na véspera de Ano Novo de 2023. O animal adulto foi registrado em uma única ocorrência, conforme o estudo.
Antes da captura, a espécie era considerada localmente extinta no Vietnã pela IUCN Red List. A descoberta foi inicialmente encarada com ceticismo pelos pesquisadores, que chegaram a imaginar tratar-se de um cão doméstico com aparência similar ao dhole. A imagem foi posteriormente validada por quatro biólogos independentes.
O registro faz parte de 49 levantamentos de grande escala e mais de 260 mil registros de câmeras em 31 áreas, sem novas aparições de dholes. A presença isolada, a poucos quilômetros da fronteira com o Laos, sugere que Pu Hoat pode ser um refúgio potencial, ainda que a população local permaneça muito pequena.
Os pesquisadores destacam que, mesmo com esse avistamento isolado, o dhole continua amplamente ausente em áreas protegidas do Vietnã. A principal ameaça identificada é a armadilhagem com arames, comum na caça de grande porte, com até 10 mil armadilhas em uso em algumas regiões. A prática coloca em risco não apenas o dhole, mas predadores de alto nível na cadeia alimentar.
A equipe aponta que a perda de grandes carnívoros pode desencadear cascatas tróficas que afetam a floresta e a biodiversidade. Estudos de ecossistemas semelhantes indicam mudanças que podem levar décadas para aparecer, mas são prováveis. Um retorno populacional facilitaria a recuperação do ecossistema local.
Para que haja recuperação significativa, os especialistas defendem uma abordagem holística: maior patrulhamento, redução da demanda por produtos derivados da vida selvagem e maior participação comunitária na proteção da fauna. A descoberta ressalta a importância de ações imediatas para conservar o que resta da fauna silvestre na região.
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