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Não sabemos o que perdemos: impactos da conservação após o fechamento da USAID

Um ano após o fechamento da USAID, cortes em financiamento à conservação deixam projetos sem recursos e elevam riscos à saúde e aos habitats

The WeMUNIZE program in Nigeria, significantly disrupted by aid cuts, used digital record keeping and community engagement to increase early childhood immunizations. Image by KC Nwakalor for USAID/Digital Development Communications via Flickr (CC BY 2.0).
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  • A USAID foi desmantelada pelo presidente Donald Trump em janeiro de 2025, encerrando financiamentos para saúde e conservação ao redor do mundo, incluindo quase 400 milhões de dólares anuais para conservação antes do fim de 2024.
  • A perda de recursos é associada a milhares de mortes já registradas, com estimativa de 834.000 óbitos, dois terços deles crianças, e interrupção de financiamentos destinados à biodiversidade e a grandes ONGs de conservação.
  • Programas como o eco-guards na Libéria e iniciativas no Congo Basin foram abruptamente interrompidos; organizações maiores, como Sociedade para a Conservação da Natureza (Libéria), Wildlife Conservation Society, Nature Conservancy e World Wildlife Fund, sofreram cortes de pessoal e de programas.
  • Como resposta de curto prazo, algumas organizações conseguiram funding emergencial (ex.: Rainforest Trust), houve aumento de doações privadas e surgiram iniciativas como Momentum for the Environment (corretor de 94 projetos) e a Fundação dos EUA para Conservação Internacional, além de esforços de “Reimaginando a Conservação” para um retorno futuro dos EUA a um papel ativo.
  • O impacto de longo prazo é incerto e pode levar décadas para ser totalmente entendido, com comunidades locais buscando compensações via ecoturismo e posse de terras, enquanto especialistas preservam conhecimento institucional através de iniciativas como Momentum for the Environment, criadas por ex-funcionários da USAID.

A queda da USAID, agência criada em 1961 para assistência internacional, provocou o fim de seus cerca de US$ 400 milhões anuais destinados à conservação. A decisão, tomada no início de 2025, deixou projetos globais sem financiamento estável e impactou programas de saúde que já vinham em retração.

Relatos de especialistas apontam que a cobrança de funding para conservação foi interrompida abruptamente, interrompendo iniciativas em habitats ameaçados e nas maiores ONGs do setor. A narrativa mostra uma mudança profunda na forma como recursos são alocados para proteção de ecossistemas e espécies.

Segundo avaliações, os impactos vão além do imediato: o custo humano em saúde e educação que dependia desse apoio também foi afetado, aumentando vulnerabilidade em comunidades locais. A estimativa de óbitos associada ao fim de programas de saúde chegou a quase 834 mil, com grande parte entre crianças.

Contexto e impactos

O Congo Basin, a Amazônia e áreas da Etiópia passaram a sentir a suspensão de projetos de conservação. A USAID atuava como hub de informação, conectando especialistas e financiando organizações locais, além de grandes ONGs. Sem esse elo, atividades de mapeamento, monitoramento e apoio técnico sofreram interrupções.

Entre as organizações grandes, como Wildlife Conservation Society, The Nature Conservancy e World Wildlife Fund, houve desligamento de parte de financiamentos, levando a cortes de equipes e redução de programas regionais. Em alguns casos, houve realocação interna de recursos, mas a incerteza persiste.

Casos emblemáticos

Na Libéria, a Sociedade para a Conservação da Natureza registrou suspensão de cerca de 80 eco-guardas que protegiam áreas florestais. O anúncio repentino de fim de recursos deixou equipes sem remuneração, elevando a vulnerabilidade de comunidades locais e dos patrulheiros.

No Congo Basin, o suporte via USAID capacitou mapeamento de florestas, proteção de habitats e apoio a comunidades. A interrupção compromete a continuidade de ações que dependiam de cooperação técnica e financiamento para operações regionais.

Na África do Sul, o Endangered Wildlife Trust perdeu aproximadamente US$ 1,2 milhão destinado ao combate ao tráfico de rinocerontes. Pesquisadores ressaltam que a intervenção comunitária e abordagens de justiça restaurativa, financiadas pela USAID, estavam entre as estratégias mais promissoras.

Respostas e iniciativas

Frentes associadas buscaram alternativas emergenciais: alguns parceiros passaram a obter recursos de governos europeus, como Noruega e Alemanha, além de doações de fundações privadas. Contudo, o financiamento externo não é estável a longo prazo.

Instituições locais tentam manter serviços básicos. Em Liberia, por exemplo, a retomada de patrulhas ocorreu com apoio de entidades internacionais, embora com futuro incerto. Programas transnacionais enfrentam dificuldades de viabilização por deslocamentos de orçamento.

Caminhos de continuidade

Pesquisadores e ex-funcionários da USAID trabalham para preservar o conhecimento institucional. A iniciativa Momentum for the Environment identifica projetos prioritários e busca correspondente com fundações. Há ainda movimentos para uma atuação dos EUA em conservation no longo prazo.

Outra frente é a Fundação Americana para Conservação Internacional, criada para apoiar ações com doação privada, mantendo um canal de financiamento público-privado. Há também esforços de reimaginar a atuação dos Estados Unidos em conservação global.

Perspectivas

Especialistas destacam que a conservação é atividade de longo prazo, exigindo conhecimento local aprofundado. A ruptura de uma agência-chave impacta não apenas ecossistemas, mas a capacidade de aprendizado e inovação no setor.

Para entender o legado da USAID, seguem em desenvolvimento projetos de avaliação, memória institucional e reconexão de parcerias. O tema permanece sujeito a mudanças políticas e a fontes de financiamento globais, com impactos ainda por mensurar.

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