- Um relatório da CMS, liderado pelo pesquisador Zeb Hogan, aponta que as populações de peixes de água doce caíram cerca de 81% desde 1970, com migrações épicas como a do dourado que percorre até sete mil milhas.
- Peixes migratórios sofrem com poluição, barragens que bloqueiam vias de água e sobrepesca; a crise climática também eleva a temperatura das águas.
- O levantamento avalia mais de quinze mil espécies de peixes de água doce e identifica trezentos e vinte e cinco espécies que cruzam fronteiras, com potencial de proteção, mas apenas vinte e quatro já estão listadas.
- Países como o Brasil já propõem um plano de ação de dez anos para os piraras migratórios, visando manter rios com fluxo livre e conectividade entre bacias.
- A região amazônica abriga grande parte dessas migrações; espécies como o paddlefish chinês já foram extintas, evidenciando a urgência de cooperação internacional para conservar os rios como sistemas interligados.
A nova avaliação global, conduzida pela CMS (Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação de Espécies Migratórias), aponta que as migrações de peixes de água doce estão colapsando rapidamente. O estudo revela queda de cerca de 81% nas populações desde 1970, em escala mundial.
A pesquisa, liderada pelo doutor Zeb Hogan, da Universidade de Nevada, destaca que migrações épicas acontecem em rios ao redor do mundo. Entre elas, o dorado catfish percorre até 11 mil km entre Andes e Amazônia. Espécies de grande porte enfrentam pressões crescentes.
A crise envolve impactos de poluição, barragens e sobrepesca, agravados pela intensificação do aquecimento global. A análise avaliou dados de mais de 15 mil espécies de peixes de água doce e concluiu que 325 cruzam fronteiras nacionais e poderiam exigir proteção.
Brasil e ações internacionais
Nesta semana, 132 países membros da CMS se reúnem no Brasil para discutir medidas. Entre elas, a remoção de barreiras, garantia de vazões, combate à poluição e coordenação de pescarias. O objetivo é manter as redes de rios conectadas e saudáveis.
O relatório aponta que metade das grandes bacias hidrográficas é partilhada por mais de uma nação. O caso do Tonlé Sap, no Camboja, parte do sistema do Mekong, abriga mais de 100 espécies migratórias. Hogan enfatiza a importância de ações estruturais.
Entre as espécies destacadas está o pirarara, ou piraíba, que pode chegar a 225 kg e migra pela Bacia Amazônica. O estudo cita ainda o risco de extinção para peixes migratórios, como a lontra, e a necessidade de planos de longo prazo.
Entre na conversa da comunidade