- O ampurta, roedor marsupial carnívoro da região árida da Austrália Central, teve queda populacional causada por predadores introduzidos como raposas, coelhos e gatos, sendo listado como ameaçado nacionalmente em 1994; em 2024 passou a estar classificado como menos preocupante.
- A recuperação ocorreu em três décadas, mesmo com prolongada seca, e o estudo aponta que o ampurta soube aproveitar condições extremas para retornar ao antigo alcance, onde a competição e predação diminuíram.
- O aumento populacional resultou em expansão de área de ocorrência: o alcance mudou de 189.878 km² em 2016 para 238.441 km² em 2021; de 2015 a 2021 houve crescimento adicional de cerca de 48 mil km².
- O ampurta atua como mesopredador, ocupando posição entre predadores médios e, com o declínio de predadores nativos, passou a desempenhar papel mais relevante na cadeia alimentar local.
- Especialistas destacam que a recuperação é rara e depende de conservação em larga escala para controlar ferais como gatos e raposas; ações de biocontrole de coelhos também são citadas como estratégias de longo prazo.
O ampurta, marsupial do tamanho de um porquinho-da-índia com cauda curta e ponta com penacho negro, vem apresentando recuperação após décadas de declínio. Ao longo de 30 anos, a espécie migrou de vulnerável para quase ameaçada, e hoje é considerada de menor preocupação, mesmo em condições de seca prolongada.
Pesquisadores destacam que a recuperação ocorreu apesar da grave crise climática e de mudanças provocadas por espécies introduzidas. O estudo liderado pela ecologista Dympna Cullen, da UNSW, ampliou dados sobre o retorno do animal ao seu antigo alcance, após ações indiretas ligadas a doenças que reduziram predadores.
Ameaças históricas e o papel das introduções
O declínio começou com a chegada de gatos domésticos que se tornaram ferais, em decorrência de expedições britânicas no século XVIII. Em seguida, raposas e coelhos, introduzidos para caça, agravaram a pressão sobre animais nativos, incluindo os ampurtas, alterando habitats e redes alimentares.
Os coelhos destroem vegetação essencial para presas de ampurta, intensificando a competição com predadores invasores. Estudos indicam que esse conjunto de fatores deixou centenas de espécies ameaçadas e bem configurou o cenário de extinção de mamíferos pequenos na região central da Austrália.
Recuperação e alcance geográfico
Entre 1995, quando o calicivírus reduziu populações de coelhos, e 2016, houve aumento do alcance potencial do ampurta. A área estimada de habitat passou a 189 878 km², com 70 vezes mais território em uso entre 1995 e 2016. De 2015 a 2021, o ganho aumentou em 48 mil km², chegando a 238 441 km².
A espécie já ocupa áreas no deserto central australiano, inclusive fora de corredores antes ausentes. Esse incremento tornou o ampurta menos vulnerável diante de oscilações climáticas, com destaque para sua tolerância a temperaturas extremas.
Importância ecológica e desdobramentos
O ampurta é micro-predador diurno e noturno, caçando invertebrados e, ocasionalmente, aves pequenas. Na família Dasyuridae, atua como regulador de cadeia alimentar, mantendo equilíbrio de presas e predadores. Sua recuperação tem sido considerada uma notícia positiva para ecossistemas áridos.
Pesquisadores ressaltam que o fenômeno é incomum entre mamíferos australianos, já que a espécie ampliou fortemente seu alcance sem intervenções pesadas de conservação. A literatura aponta que mudanças no habitat e na pressão de predadores são centrais para entender o processo.
Olhar para o futuro
Especialistas destacam a necessidade de ações em larga escala contra predadores invasores, como parte de estratégias de longo prazo. A biocontenção de coelhos, com financiamento estável, é apontada como crucial para reduzir impactos de gatos e raposas em todo o deserto.
Mesmo com o avanço observado, a preservação do ampurta depende de manejo ambiental abrangente. O estudo recomenda manter o equilíbrio de habitat e controlar as ameaças externas para sustentar a recuperação.
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