- O governo atrasou a entrada em vigor do “future homes standard” para habitações de baixo carbono, que passa a valer apenas para casas construídas a partir de março de 2028.
- O padrão prevê 75% menos emissões de gases de efeito estufa em relação às normas de 2013; as casas deverão ter painéis solares equivalentes a 40% da área do térreo, com exceções.
- Painéis solares “plug-in” para varandas ou espaços externos devem ficar disponíveis no Reino Unido em breve.
- Atraso pode fazer com que centenas de milhares de novas casas tenham aquecimento a gás, mesmo com ventos de guerra e crises energéticas; especialistas defendem bombas de calor.
- A economia prevista é de cerca de £ 1 mil por ano em contas de energia; permanece incerta a posição sobre o uso de hidrogênio no aquecimento residencial.
O governo atrasou a aplicação de normas apresentadas para reduzir emissões em moradias novas na Inglaterra. A chamada “future homes standard” (FHS) prevê que casas erguidas a partir de março de 2028 emitam 75% menos gases de efeito estufa do que as edificações de 2013. A decisão ocorre diante de pressões dos setores de construção.
Segundo o texto regulatório divulgado, as novas casas deverão contar com painéis solares e aquecimento por bomba de calor, além de permitir painéis solares plug-in instalados em varandas. O plano original para regras mais duras foi flexibilizado para atender aos interesses de incorporadores, mantendo algumas exceções.
Requisitos técnicos e exceções
A norma estabelece que as moradias devem ter painéis solares equivalentes a 40% da área do térreo. Contudo, exceções poderão reduzir essa instalação em determinados projetos. Também está previsto o uso de aquecedores de água elétricos de baixo carbono, em substituição aos modelos fósseis.
Há ainda uma brecha regulatória que permite o uso de fogões a lenha em novas residências, o que pode comprometer a meta de carbono zero em curta e média duração. Em paralelo, o governo planeja disponibilizar painéis solares “plug-in” para instalação em espaços ao ar livre, como varandas.
Impactos e contexto
A postergação implica que centenas de milhares de casas novas possam permanecer com aquecimento a gás, convivendo com custos de energia elevados. Dados de 2023 indicaram baixa adoção de bombas de calor em novas moradias, com apenas uma fração dos imóveis certificados como de baixo carbono.
Especialistas apontam que, mesmo com a norma, uma parcela das emissões residuais pode vir do uso de fogões a lenha. A comunidade técnica observa que o custo de transição para aquecimento com bombas de calor é factível e contribuiria para maior segurança energética.
Posição de especialistas e autoridades
A reforma visa reduzir a vulnerabilidade de famílias frente a altas tarifas energéticas, ao mesmo tempo em que promove a transição para energia doméstica limpa. O governo argumenta que a padronização facilita o acesso a moradias mais baratas para operar, com benefícios para a economia doméstica.
Analistas ressaltam que a indústria pode buscar cumprir o mínimo exigido, o que exigiria monitoramento contínuo para evitar retrocesso. O foco permanece em equilibrar custos de construção e eficiência energética.
Contexto político e operacional
O atraso da FHS ocorreu após debate com o setor de construção, que pressionou por flexibilizações. A norma já tem uma trajetória longa, com propostas originais de governos anteriores que visavam padrões ainda mais rigorosos. O texto regulatório está previsto para ser publicado na próxima semana pelo governo.
Quase 1,5 milhão de novas casas permanecem como foco de planejamento público, com impactos diretos na composição do parque habitacional e no custo de moradia para famílias. As autoridades asseguram que a transição para energia limpa continuará, com ajustes conforme a evolução tecnológica e econômica.
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