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Investigação do derretimento de plataforma de gelo na Antártica com GNSS

Redes GNSS monitoram turbulência atmosférica acima da Ross Ice Shelf; nível quatro vezes maior que o usual acompanhou o derretimento de superfície em janeiro de 2016

The calving front of the Ross Ice Sheet in western Antarctica
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  • Estudo publicado em 27 de fevereiro na Geophysical Research Letters mostra uso de sistemas GNSS para medir turbulência atmosférica acima da Plataforma de Gelo Ross (RIS), na Antártida, com 13 estações.
  • Cientistas do MIT Haystack Observatory utilizaram os sinais GNSS para acompanhar condições atmosféricas e a umidade do ar na região.
  • Em janeiro de 2016 ocorreu um derretimento de superfície incomum na RIS, associado a ar quente e úmido vindo do oceano.
  • Durante esse evento, os dados das estações indicaram turbulência atmosférica quatro vezes maior que o normal.
  • Os resultados sugerem que a turbulência pode ter contribuído para o derretimento de superfície, ajudando a entender como as bacias de gelo respondem a mudanças climáticas.

Observações indicam que um grande evento de derretimento na Ross Ice Shelf (RIS) esteve ligado à turbulência atmosférica. Cientistas do MIT Haystack Observatory utilizaram sistemas GNSS existentes, com 13 estações instaladas na RIS, para medir condições atmosféricas acima da mesma. O estudo, publicado em Geophysical Research Letters em 27 de fevereiro, afirma que a turbulência pode ter contribuído para o intenso derretimento superficial em janeiro de 2016.

A RIS é uma imensa formação de gelo flutuante na borda oeste da Antártida, que sustenta parte da camada de gelo continental. Normalmente o derretimento ocorre de baixo para cima, com água oceânica mais quente. Em janeiro de 2016, ar quente e úmido provocou um derretimento incomum na face superior da plataforma.

O estudo mostra que, durante o evento, os dados das estações GNSS indicaram turbulência atmosférica quatro vezes acima do normal. Essa abordagem permite monitorar condições de tempo sobre áreas remotas e de difícil acesso, sem necessidade de medições in loco.

Metodologia

A equipe utilizou a rede de estações GNSS sobre a RIS para mapear variações de vapor d’água na atmosfera baixa. Ondas de água vapor influenciam o retardo do sinal GNSS de forma discreta entre estações, variando com o tempo. Essas variações ajudam a inferir a intensidade da turbulência aérea.

Ao registrar informações em múltiplas posições, os cientistas conseguiram acompanhar a dinâmica climática sobre a RIS e associar a turbulência ao aumento do aquecimento superficial. A técnica facilita o monitoramento remoto de áreas de alto risco para o derretimento de gelo.

Desdobramentos e perspectivas

Os pesquisadores destacam que o uso de GNSS como sensor de turbulência pode ampliar a vigilância de mantos de gelo com poucos dados meteorológicos. Além da RIS, a equipe desenvolveu o instrumento seismogeodético de penetrador de gelo, voltado a aplicações em Antártida e Groenlândia para monitorar turbulência atmosférica.

Segundo o chefe do departamento de geodesia do Haystack, a RIS contribui para o balanço de massa do gelo ao perder água por derretimento superficial, além do calving e do derretimento basal. Estudos futuros devem ampliar a compreensão de como ar quente e úmido influencia a massa de gelo antártica.

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