- O Vaticano lançou uma campanha para incentivar o desinvestimento de mineradoras, buscando alinhar os investimentos da Igreja à sua doutrina ecológica.
- A iniciativa, inspirada na encíclica ambiental de 2015 de Francisco, “Praised Be”, é promovida por uma rede ecumênica chamada Churches and Mining Network, com atuação especial na América Latina.
- A meta é estimular as igrejas locais a revisar suas estratégias de investimento e desinvestir quando necessário, além de compartilhar informações com povos originários sobre os tipos de extração em suas terras.
- Yolanda Flores, líder do povo Aymara no Peru, contou à imprensa que mães indígenas temem que a água consumida por elas esteja contaminada pela mineração, questionando quem financia esse dano.
- O governo vaticano já conta com um comitê de investimentos desde 2022 para assegurar a natureza ética dos papéis possuídos pela Santa Sé, e o banco vaticano anunciou recentemente dois índices de referência que seguem critérios católicos éticos: Morningstar IOR Eurozone Catholic Principles e Morningstar IOR US Catholic Principles.
O Vaticano lançou uma campanha para incentivar a desvinculação de investimentos de indústrias de mineração, buscando alinhar os recursos da igreja com seus ensinamentos ecológicos. A iniciativa, anunciada em Roma, envolve também outras organizações cristãs e segue a encíclica ambiental de 2015, Praised Be, de Francisco.
O objetivo é orientar as igrejas locais a revisar estratégias de investimento e a desinvestir quando necessário, além de ampliar o diálogo com povos indígenas sobre os tipos de extração em suas terras. A ação nasce de uma rede ecumênica de católicos e outras denominações cristãs, a Churches and Mining Network, principalmente atuante na América Latina.
Desdobramentos da campanha
Durante uma conferência de imprensa no Vaticano, líderes indígenas destacaram os impactos da mineração em suas comunidades, incluindo contaminação de água causadas por rejeitos de extração. O temor central é o financiamento de atividades que colocam em risco a saúde de mães e crianças.
Um cardeal guatemalteco recordou episódios em que projetos mineiros, ainda que legais, não promoveram desenvolvimento justo para as comunidades locais, beneficiando sobretudo os acionistas. O relato enfatizou a necessidade de justiça distributiva na avaliação de projetos de mineração.
Também foi questionada a prática de investimentos anteriores do próprio Vaticano, e a necessidade de revisar estratégias internas. Representantes da educação ambiental do Vaticano sugeriram que a avaliação de carteiras deve ocorrer em casa, como parte de um processo de melhoria contínua.
Ações já em curso e próximos passos
Em 2022, o Papa criou um comitê de investimentos com especialistas internos e externos para assegurar que as decisões financeiras sigam a doutrina social da igreja, equilibrando ética, rentabilidade e riscos. Na prática, o Vaticano tem buscado reforçar esse compromisso.
No mês passado, o banco do Vaticano anunciou dois índices de referência de investimentos que atendem a critérios éticos católicos, com o objetivo de orientar carteiras católicas globalmente. Os indicadores apoiam escolhas que respeitam a doutrina social.
O movimento, que também envolve organizações cristãs parceiras, reforça a orientação de que as decisões de investimento devem refletir valores ecocompartilhados e a proteção de comunidades tradicionais frente a atividades extrativas. A campanha marca uma etapa na busca por investimentos mais responsáveis da Santa Sé.
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