- Um relatório da Environmental Justice Foundation alerta que políticas de biocombustíveis na África podem aprofundar a pressão sobre terras e a insegurança alimentar.
- O tema ganha destaque à margem de reunião da Organização Marítima Internacional (IMO), em abril, para definir regras sobre energia limpa no transporte marítimo.
- Riscos citados incluem desmatamento, perda de biodiversidade e deslocamento de comunidades locais, com terras já pressionadas pela agricultura, mineração e urbanização.
- O documento aponta que políticas da União Europeia e dos Estados Unidos já contribuíram para grilagem de terras e competição com culturas alimentares na África.
- Propõe-se migrar de biocombustíveis baseados em culturas para biocombustíveis avançados feitos de resíduos, algas ou culturas não alimentares, priorizando segurança alimentar e direitos locais.
O relatório da Environmental Justice Foundation (EJF) alerta para riscos de ampliar a produção de bioenergia na África, onde Terra e água já enfrentam pressão. A preocupação surge enquanto países se preparam para a reunião da Organização Marítima Internacional (IMO) em abril, para definir regras de energia limpa no transporte.
Segundo a EJF, políticas de biocombustíveis podem intensificar desmatamento, perda de biodiversidade e deslocamento de comunidades locais. A expansão de culturas como soja, milho e jatrofa pode competir com alimentos e elevar preços, agravando a insegurança alimentar.
O documento destaca impactos sociais e ambientais associados a políticas da União Europeia e dos EUA, que já incentivam a produção para exportação. A análise sugere cautela na formulação de políticas, com foco em sustentabilidade e participação das populações afetadas.
Entre as recomendações, o relatório defende mudança de foco para biocombustíveis avançados, derivados de resíduos, algas ou culturas não alimentares. Tais opções teriam pegada ambiental menor e não competiriam com alimentos.
A EJF orienta que as novas regras da IMO considerem impactos sociais e ambientais, promovendo alternativas sustentáveis sem colocar em risco a terra ou a segurança alimentar africana. A instituição ressalta a necessidade de respeitar direitos locais.
A África poderia liderar em bioenergia sustentável, desde que políticas públicas priorizem limites ambientais e direitos comunitários. O estudo reforça a importância de planejamento cuidadoso diante da transição energética.
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