- O governo aprovou o NICCAP3, plano atualizado para aumentar a resiliência da Irlanda do Norte às mudanças climáticas, com 280 ações entre 2024 e 2029.
- O plano estabelece medidas em natureza, alimentação, infraestrutura, comunidades e negócios e é o terceiro ciclo de adaptação climática.
- Entre as novidades estão a Estratégia de Turfe, planos de drenagem urbana para Londonderry e Belfast, um Programa de Agricultura Sustentável e um Marco de Estratégia Alimentar.
- O ministro Andrew Muir afirma que a região já enfrenta impactos do clima extremo, como tempestades, inundações e surgimento de novas doenças animais.
- Agricultores da região já estão se adaptando, com relatos de mudanças no manejo de culturas e pastagens diante de períodos climáticos cada vez mais imprevisíveis.
O governo da Irlanda do Norte aprovou uma atualização do Plano de Adaptação às Alterações Climáticas, o NICCAP3. O objetivo é fortalecer a resiliência frente aos impactos climáticos entre 2024 e 2029. A iniciativa envolve medidas em natureza, alimentação, infraestrutura, comunidades e negócios.
O NicCAP3, elaborado pela Department of Agriculture, Environment and Rural Affairs (Daera), reúne 280 ações. O planejamento foi desenvolvido com colaboração entre todos os ministérios, segundo o ministro Andrew Muir. Trata-se da terceira edição do programa, exigido pela legislação britânica desde 2008.
A adaptação climática difere da mitigação: a primeira ajusta-se aos impactos já observados e projetados. O NICCAP3 sustenta que previsões apontam eventos mais frequentes e intensos, como tempestades, inundações e doenças associadas ao clima.
Ações envolvem uma ampla rede de atores públicos e privados, incluindo Translink, NI Water, governos locais, universidades, organizações comunitárias e o setor empresarial. Entre as novidades estão uma Estratégia de Turfejos de Pântanos, planos de drenagem urbana para Londonderry e Belfast, um Programa de Agricultura Sustentável e um Novo Marco de Estratégia Alimentar.
Na visão de Muir, já existem impactos reais por causa de eventos climáticos extremos, com enchentes mais severas e tempestades frequentes. Também destacam o surgimento de doenças animais sensíveis ao clima e incêndios florestais mais intensos, que afetam comunidades, negócios e o meio ambiente.
Experiências no campo
Entre os produtores locais, Stephen Murdoch atua na região de Comber, County Down, cultivando couve-flor, brócolis, alho-poró e repolho-de-bruxelas. Murdoch relatou mudanças no clima, com períodos de tempo imprevisíveis e variações entre períodos úmidos e secos, o que obriga ajustes na colheita e na logística.
Murdoch descreveu queda na produção diária de cauliflowers desde o fim do ano passado, com a colheita caindo de volumes planejados para níveis bem menores. O agricultor usa um sistema de colheita para algumas culturas, mas a chuva tornou necessário realizar cortes manuais, elevando custos e dificultando o planejamento.
Ele também apontou que, embora haja apoio limitado, produtores devegetais não recebem compensação equivalente a setores como pecuária, o que aumenta a pressão financeira em décadas de adaptação constante. A situação anual de custos e perdas é mencionada como parte da realidade do cultivo.
Peter Gallagher, produtor em County Fermanagh, com mais de 20 anos de atividade, descreve uma propriedade de 150 acres perto de Boho como uma fazenda de montanha marginal, vulnerável a inundações. O ambiente atual tem mostrado clima mais úmido e períodos de pastagem em momentos extraordinários.
Gallagher adotou uma abordagem regenerativa na pastagem para uma manada de 70 cabeças, com manejo de gramíneas que busca reduzir impactos de chuvas intensas. Ele afirma que climas anormais dificultam o aproveitamento de feno e a qualidade da pastagem, exigindo estratégias diferentes conforme o tempo.
O vice-presidente adjunto da Ulster Farmers’ Union, John McLenaghan, comenta que as mudanças climáticas pressionam a programação sazonal já exigente. Ainda assim, há consenso sobre a necessidade de uma agricultura mais eficiente diante de uma população global crescente. McLenaghan ressalta otimismo e vê potencial para o setor na região.
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