- A usina hidrelétrica Belo Monte, no Pará, reduziu o fluxo de água na Volta Grande do Xingu, afetando ecossistema e comunidades ribeirinhas desde 2016.
- O projeto, que usa o regime de fluxo artificial do Xingu, desviando grande parte da água para turbinas, depende do rio para geração de energia e prejudica reprodução de espécies locais.
- Relatórios oficiais e monitoramento independente indicam impactos graves, como alagamento de áreas, deformidades em animais e mortalidade de peixes e tartarugas, afetando a pesca e a alimentação de comunidades locais.
- Em 2025, a Justiça determinou que Norte Energia e IBAMA revisassem o hydrogram de compartilhamento de vazão, com criação de controles artificiais para manter níveis hídricos adequados, mas a decisão está suspensa por recurso.
- Organizações indígenas e comunitárias afirmam que é necessário revisar o acordo de vazão e ampliar o diálogo com autoridades para proteger o rio e os meios de subsistência na Volta Grande.
Depois de uma década de operação, a usina hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, não resolveu o impacto local mais grave: a redução do fluxo de água no Volta Grande do Xingu. O trecho de 130 km do rio é rico em biodiversidade e crucial para povos indígenas e comunidades ribeirinhas.
Relatórios técnicos de IBAMA, acompanhados por monitoramento independente, confirmam impactos graves desde o início das operações em 2016. Nível de água mais baixo secou florestas alagadas e formações de ferrugem, prejudicando reprodução e causando mortalidade de peixes e tartarugas, muitos endêmicos e em risco.
O regime de vazão, controlado pela Norte Energia por meio do chamado Consensus Hydrogram, foi elaborado antes da operação e baseia-se em projeções. Estudos apontam que os volumes previstos são insuficientes para manter o ecossistema do Xingu.
Impactos ecológicos e sociais
A diminuição da água prejudica a pesca na Volta Grande e as comunidades que dependem dela para alimentação e renda. Famílias enfrentam ainda dificuldades de transporte, com canais do Xingu secos em várias rotas.
A empresa alega que a vazão prevista é essencial para o país e sustenta que mudanças no hydrograma exigem estudos técnicos adicionais. IBAMA e Ministério Público questionam a necessidade de revisar o plano, citando pressões institucionais.
A decisão judicial de dezembro de 2025 determinou a revisão do hydrograma para assegurar água suficiente à pesca, ecossistema e navegação. Porém, a medida encontra suspensão de segurança, mantendo a implementação em suspenso até recursos esgotados.
Josiel Juruna, da MATI, aponta que aumentar o volume de água é a única solução para restaurar o ecossistema. Estudo independente de comunidades locais documenta alterações na reprodução de peixes e degradação da cadeia alimentar.
Pesquisa recente indica que mudanças climáticas podem reduzir ainda mais os caudais na Amazônia, elevando o risco para Belo Monte. Analistas destacam a necessidade de diálogo entre comunidades, autoridades e a operadora para redefinir a repartição de vazões.
Avolumada pressão pública e jurídica mantém Belo Monte como referência de segurança energética, mas com debates acalorados sobre impactos socioambientais. A usina opera abaixo de sua capacidade instalada, mesmo com grande parte da água desviada para turbinas.
As discussões sobre a gestão de vazões no Xingu seguem, com novas audiências técnicas e potenciais revisões de licenciamento previstas para anos recentes, sem data definida para conclusão.
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