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Planta carnívora é redescoberta no Piauí após 80 anos sem registros

Redescoberta no Piauí de planta carnívora rara revela distribuição restrita e risco de extinção, destacando a vulnerabilidade de ecossistemas alagados

Fotografia de uma Planta carnívora rara.
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  • A planta carnívora Utricularia warmingii foi redescoberta no Piauí, na Lagoa do Bode, em Campo Maior, a 80 quilômetros de Teresina, após 80 anos sem registros.
  • O gênero Utricularia reúne cerca de 250 espécies aquáticas ou semi‑aquáticas que capturam presas microscópicas com armadilhas chamadas utrículos.
  • O mecanismo de caça é rápido: o utrículo, com pressão interna negativa, se abre e suga o alimento em 10 a 15 milissegundos.
  • A nova descoberta indica distribuição provavelmente restrita a um único local, já que buscas adicionais não localizaram outras ocorrências.
  • Pesquisadores sugerem classificar a espécie como em perigo de extinção, devido a ameaças como uso do solo, agropecuária, espécies invasoras e mudanças climáticas que afetam ecossistemas de lagoas rasas.

Uma planta carnívora rara foi redescoberta no Piauí após 80 anos sem registros. A Utricularia warmingii foi encontrada em uma área alagada na Lagoa do Bode, em Campo Maior, a cerca de 80 km de Teresina. O achado ocorre em meio a uma região com ecossistemas aquáticos frágeis.

A espécie pertence ao gênero Utricularia, com cerca de 250 espécies aquáticas ou semi-aquáticas carnívoras. Elas capturam presas microscópicas por meio de utrículos, sacos que, com pressão negativa, sugam o alimento em milésimos de segundo.

Pesquisadores da Universidade Federal do Piauí e do Instituto Nacional da Mata Atlântica confirmaram o registro, destacando que a população local parece restrita a esse único ponto. A descoberta amplia o conhecimento sobre a distribuição da espécie, mas evidencia vulnerabilidade.

Descoberta no Piauí

A descoberta ocorreu em área alagada no interior do estado, uma lagoa rasa que oferece as condições ideais para a Utricularia warmingii. Registros anteriores indicam ocorrência na Bolívia, Colômbia e Venezuela, além de outros locais no Pantanal e no Sudeste, mas com avistagens raras.

A presença da planta no Nordeste brasileiro contrasta com a ausência de registros em estados como São Paulo desde 1939 e Minas Gerais desde 1877. A percepção local é de que a espécie pode estar ausente de várias áreas, aumentando a importância da preservação.

Ameaças e status

Ecossistemas de lagoas rasas enfrentam ameaças constantes, como expansão agrícola, uso de agrotóxicos e espécies invasoras. Mudanças climáticas também alteram regimes de cheias e secas, agravando o risco de extinção.

Especialistas enfatizam que a espécie pode já estar em perigo de extinção. Estudos sugerem classificação oficial como em perigo, com base na área estimada de ocupação de cerca de 36 km². A recolonização natural, em caso de perda, é improvável.

Próximos passos

Os pesquisadores ressaltam a necessidade de novas buscas para mapear a distribuição da Utricularia warmingii e monitorar a população. A proteção de lagoas alagadas e de ecossistemas aquáticos é fundamental para a sobrevivência da planta carnívora.

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