- Em 2024, uma mãe de Manomapia, no sudeste da República Democrática do Congo, relatou à Environmental Investigation Agency (EIA) a morte do filho de 6 meses após a construção de uma das maiores instalações de processamento de cobre e cobalto próximas de sua casa.
- A unidade, conhecida como “30K plant”, é operada pela Tenke Fungurume Mining (TFM), subsidiária congolesa da CMOC, e pode processar até 30 mil toneladas de minério por dia.
- Desde o início das operações em 2023, moradores relataram problemas de saúde, incluindo vômito, tosse intensa e infecções respiratórias graves, com aumento de casos após o início da atividade.
- A EIA monitorou a qualidade do ar e concluiu que o dióxido de enxofre (SO₂) excedia os limites seguros para exposição humana em várias ocasiões, associadas a sintomas respiratórios graves.
- A TFM afirmou que as emissões permanecem dentro de limites seguros e que não há evidência de relação causal entre a doença e a operação da planta, enquanto especialistas ressaltam condições inseguras de extração de minerais.
O relatório investiga a relação entre a poluição do ar e problemas de saúde na região de Manomapia, sul da República Democrática do Congo. Em 2024, a mãe de um bebê de 6 meses relatou que o filho adoeceu após a construção de um complexo de processamento de cobre e cobalto a poucos quilômetros de casa, levando à sua morte. A acusa é de que a poluição atmosférica industrial estaria em jogo.
O complexo, de propriedade da Tenke Fungurume Mining (TFM), braço congolês da CMOC, deve abastecer o mercado com cobre para exportação. A planta, chamada de 30K, tem capacidade para processar 30 mil toneladas de minério por dia e ocupa área similar a 500 campos de futebol, segundo a EIA.
Segundo a EIA, o início das operações em 2023 coincidiu com um aumento de casos graves de saúde respiratória em Manomapia, incluindo vômitos com sangue. A organização diz ter monitorado a qualidade do ar e analisado dados de uma clínica próxima, com apoio de um perito independente.
A EIA aponta que o dióxido de enxofre SO2 excedeu significativamente os limites considerados seguros por organizações internacionais, elevando relatos de irritação ocular e problemas respiratórios. Pesquisadores destacam que exposições agudas a SO2 podem ser fatais em casos extremos.
A TFM não respondeu até o fechamento desta edição. Em uma carta à EIA, a empresa afirma que as emissões são dentro de limites seguros e que não há evidência de relação causal entre a doença da criança e as operações da planta 30K.
Especialista francês, Jacques Gardon, do IRD, alerta que a extração de minerais estaria ocorrendo sob condições inseguras, sugerindo impactos graves para a saúde pública e a economia local. Ele afirma que os preços dos minerais muitas vezes não cobrem os custos de práticas minerárias responsáveis.
A reportagem destaca ainda que o 30K planta é parte de um eixo de produção voltado a exportação de cobre aos Estados Unidos, o que amplia a relevância econômica do empreendimento para a região e para o setor global de baterias.
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