- Brasil criou, em 6 de março, o Parque Nacional Marinho Albardão e uma área de proteção ambiental costeira para proteger biodiversidade marinha.
- A reserva abrange mais de 1 milhão de hectares, tornando-se o maior parque marinho do país e a terceira maior área marinha protegida; há ainda uma zona de amortecimento de 614 mil hectares.
- O staff aponta que a região abriga pelo menos 25 espécies ameaçadas e fósseis de megafauna da era Pleistocena.
- Espécies em destaque incluem golfinhos-boto Lahille (Tursiops truncatus gephyreus) e golfinhos franciscana, além de tubarões e raias ameaçados, como o tubarão-serra angelshark e o batbão Rhina ancylostomus.
- Foi criado ainda um território costeiro adjacente de cerca de 56 mil hectares; houve concessões para ecoturismo, pesquisa científica e pesca artesanal, enquanto parques eólicos não serão permitidos.
O governo federal criou no dia 6 de março uma grande área de conservação marinha no Atlântico sul do Brasil, visando proteger a biodiversidade. O Albardão é um parque nacional marinho acompanhado de uma área de proteção ambiental costeira. O conjunto abriga ao menos 25 espécies ameaçadas e fósseis do megafauna da era Pleistocena.
A área marinha fica off the coast do Rio Grande do Sul, o estado mais ao sul do país. O parque ultrapassa 1 milhão de hectares, equivalente a 2,5 milhões de acres, configurando o maior parque marinho do Brasil e a terceira maior área protegida nesse ecossistema. Um buffer adicional de 614 mil hectares foi incluído no decreto.
Segundo o governo, o Albardão reúne ecossistemas estratégicos para a biodiversidade brasileira e para o ciclo de vida de várias espécies ameaçadas. O texto oficial destaca a importância do local para a sobrevivência de várias populações vulneráveis.
Entre os habitantes da região, destacam-se o golfinho-nariz-de-garrafa Lahille (*Tursiops truncatus gephyreus*), com cerca de 500 indivíduos vivos, e o golfinho-pontiagudo (*Pontoporia blainvillei*), classificado como criticamente ameaçado no Brasil. Também há 23 espécies de tubarões e raias em situação de risco.
Além desses, a área abriga espécies como o tubarão anjo, listada como ameaçada, e o pez gargalho-bodo, conhecido por sua vulnerabilidade global. O conjunto contribui para a conservação de diversos habitats costeiros e marinhos.
Uma área costeira adjacente, com quase 56 mil hectares, também foi criada. Nela estão dunas e depósitos de conchas, onde paleontólogos encontraram fósseis de megafauna do Pleistoceno, como preguiças de grande porte, gatos dentes-de-sabre, tatus gigantes e mastodontes.
A recomendação de proteção ambiental vinha sendo estudada desde 2004, segundo o governo. A decisão gerou controvérsia local, com setores políticos e econômicos defendendo projetos de energia eólica offshore na região.
No decreto, foram previstas exceções para ecoturismo sustentável, pesquisa científica e pesca artesanal em áreas marinhas e costeiras. A construção de turbinas eólicas, no entanto, ficou impedida dentro do parque.
A denominação de áreas permitiu ainda a circulação de embarcações para tráfego marítimo na região protegida. Estruturas de conectividade e o fluxo de infraestrutura para gás, petróleo e energia renovável poderão ocorrer desde que não comprometam os objetivos de conservação.
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