- Estudo da UFRN e UFSM, publicado hoje no People and Nature, revela que a redução de espécies marinhas pode diminuir até setenta por cento a oferta de nutrientes para comunidades pesqueiras do Nordeste.
- A pesquisa ouviu cento e onze famílias de pescadores nos municípios de Rio Grande do Norte (Touros, Rio do Fogo e Baía Formosa) e de Pernambuco (Ipojuca, Tamandaré e São José da Coroa Grande).
- O pescado representa entre trinta e quarenta por cento da proteína mensal dessas comunidades, e os peixes fornecem mais de setenta por cento dos nutrientes consumidos (calcio, ferro e ômega-3).
- Se vinte e cinco por cento das 122 espécies mais capturadas desaparecerem, a oferta de nutrientes pode cair até setenta por cento; se espécies importantes, como as sardinhas, forem afetadas, a perda pode passar de noventa por cento.
- Os autores defendem políticas públicas de conservação voltadas a espécies mais nutritivas, destacando que a perda de biodiversidade atinge principalmente quem depende do mar.
Em estudo publicado hoje no periódico People and Nature, pesquisadores da UFRN e da UFSM analisaram as consequências da queda de peixes para comunidades pesqueiras do Nordeste. A pesquisa aponta que a redução de espécies marinhas pode reduzir significativamente a oferta de nutrientes para essas populações, influenciando a saúde.
O trabalho envolveu 111 famílias de pescadores, atuantes de forma comercial e artesanal, em municípios do Rio Grande do Norte (Touros, Rio do Fogo e Baía Formosa) e de Pernambuco (Ipojuca, Tamandaré e São José da Coroa Grande). Os dados revelam que o pescado representa 30% a 40% da proteína mensal dessas famílias e fornece mais de 70% dos nutrientes consumidos, incluindo cálcio, ferro e ômega-3.
A pesquisa aponta que a disponibilidade de peixes pode se tornar ainda mais vulnerável com mudanças ambientais, como o aumento da temperatura dos oceanos. Ao considerar 122 espécies de peixes mais capturadas, os cientistas simulam cenários futuros. Se 25% dessas espécies sumirem, a oferta de nutrientes pode cair até 70%. Caso espécies altamente nutritivas, como sardinhas, sejam afetadas, a queda pode superar 90%.
Desdobramentos e políticas de conservação
Os autores destacam a necessidade de políticas públicas voltadas à conservação das espécies mais nutritivas. Segundo um dos autores, a perda de biodiversidade atinge de forma desigual quem depende do peixe para a alimentação e para a cultura local. A pesquisa reforça a ideia de que proteger os peixes do Nordeste equivale a proteger as comunidades que vivem do mar.
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