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Conhecimento indígena aponta o desaparecimento de aves de grande porte

Conhecimento indígena confirma tendência científica: aves de grande porte encolhem; massa média cai aproximadamente 70% nos últimos oitenta anos, em três continentes

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  • Pesquisa reuniu 1.434 pessoas em três continentes e 10 sítios, como parte do projeto LICCI, para entender observações de mudanças climáticas em territórios tradicionais.
  • Os entrevistados listaram aves mais comuns na infância (cerca de 80 anos atrás) e hoje, compilando quase 7.000 relatos de 283 espécies.
  • A análise mostra que o peso médio das aves nas áreas pesquisadas é, em média, 70% menor hoje do que há oito décadas.
  • O padrão apareceu em todos os locais do estudo, desde a Amazônia boliviana até savanas no Senegal e desertos na Mongólia.
  • Especialistas destacam que aves de grande porte reproduzem-se mais lentamente, são alvos de caça e precisam de habitats maiores, contribuindo para o declínio observado.

Indígenas e comunidades locais, em contato próximo com a natureza, ajudam a entender mudanças na fauna. Nova pesquisa publicada no International Journal of Conservation utiliza esse saber tradicional para investigar um padrão já documentado pela ciência: o encolhimento de aves de grande porte.

O estudo, liderado por Álvaro Fernández-Llamazares, ethnobotanista da Universitat Autònoma de Barcelona, abrange 1.434 entrevistados em 10 locais de três continentes. Foram quase 7.000 relatos de aves, cobrindo cerca de 80 anos de observação.

Resultados mostram que o peso médio das aves nas áreas pesquisadas é cerca de 70% menor hoje do que há oito décadas. O recorte inclui os biomas da Amazônia boliviana, as savanas de Senegal e desertos da Mongólia, entre outros.

LICCI e a percepção de mudanças

Os dados integram o projeto Local Indicators of Climate Change Impacts (LICCI), que busca entender como comunidades reconhecem mudanças climáticas em seus territórios. O método questionou cada entrevistado sobre espécies comuns na infância versus hoje.

Segundo a pesquisa, aves de grande porte tendem a se reproduzir mais lentamente, tornando-as mais vulneráveis a quedas populacionais. Além disso, são alvos de caça com maior rendimento por animal e exigem habitats mais amplos, sensíveis a mudanças no uso do solo.

Perspectivas e contexto

Os pesquisadores destacam que o estudo demonstra como saberes tradicionais, combinados a métodos científicos, oferecem uma visão mais complexa da biodiversidade. O resultado sustenta a noção de padrões globais observados por outros trabalhos.

Observações de campo apontam que, em várias comunidades, aves grandes estavam entre as espécies mais comuns na juventude, mas hoje parecem menos frequentes. Relatos de idosos locais reforçam a tendência observada nos inventários científicos.

Implicações para conservação

Especialistas afirmam que entender o papel de espécies grandes é crucial para estratégias de conservação. A vulnerabilidade dessas aves exige ações que protejam habitats, reduzam a caça excessiva e integrem saberes tradicionais aos planos de manejo ambiental.

A equipe do estudo ressalta a importância de combinar conhecimento etnobotânico com abordagens ocidentais para aprimorar a compreensão sobre megafauna e mudanças ecológicas em escala regional e global.

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