- Tailandia vive um boom de data centers, com dezenas de projetos anunciados ou em construção nos estados de Chonburi e Rayong, na região leste do país.
- Entidades locais temem que o aumento da demanda por água e o manejo de resíduos agrave a já pressionada disponibilidade de recursos hídricos e a poluição ambiental.
- Em Chonburi, um data center hyperscale chamado QHI01, de Bridge Data Centres, está em construção próximo a áreas de cultivo de caranguejos, com fornecimento de água contratado de uma joint venture de saneamento.
- A área da Eastern Economic Corridor já enfrenta recursos hídricos limitados, com projeções de crescimento do consumo de água para indústria, agricultura e residências, além de preocupações com impactos ambientais não totalmente apurados.
- Líderes locais e ativistas questionam a transparência, a realização de avaliações de impacto ambiental e os efeitos de longo prazo sobre comunidades, agricultura e vida marinha na região.
Em Chonburi, no leste da Tailândia, a construção de um novo data center desperta temores sobre uso de água e poluição. O projeto QHI01, de 0,2 GW, fica próximo à propriedade de produtores de caranguejo que dependem de ecossistema raso entre água salgada e doce.
A expansão de centros de dados no país avança rápido. Em 2025 foram aprovados 36 projetos no valor estimado de 23 bilhões de dólares, com mais unidades em andamento neste início de 2026. O objetivo é chegar a 1 GW de capacidade até 2027.
Local e escala do impacto
A maior parte dos novos centros deve ficar na Eastern Economic Corridor, que abrange Chonburi, Rayong e Chachoengsao. A região já enfrenta questões de escassez de água e contaminação, agravadas pela pressão industrial.
A comunidade local teme que a água destinada a indústrias aumente ainda mais, reduzindo reservas para agricultores, pescadores e residências. A canalização de água para os data centers é objeto de debate entre autoridades e moradores.
QHI01 e quem está por trás
O QHI01 está sendo desenvolvido pela Bridge Data Centres, braço da Bain Capital. A empresa afirma ter garantido financiamento para ampliar centros no Sudeste Asiático e além, incluindo ligações com fornecedoras de água para abastecimento.
Para a operação, um acordo de fornecimento de água anual foi firmado com a Eastwater Stecon Utilities, a joint venture entre East Water e Stecon Group. A parceria visa suprir o centro com água por cerca de 9 mil m³ por dia, segundo cálculos da reportagem.
Recursos hídricos e infraestrutura existentes
A região já depende de reservatórios para abastecimento de água tratada. Estimativas oficiais indicam que a demanda industrial na área pode aumentar nos próximos anos, com planos de ampliar a capacidade de produção de água para atender novos empreendimentos.
Pesquisadores alertam que, sem avaliação ambiental estratégica, ficam dúvidas sobre a disponibilidade de recursos para o conjunto de projetos da área. Organizações civis destacam a importância de avaliações mais amplas.
Perdas atual e riscos potenciais
Moradores acompanham a queda na abundância de peixes nas regiões próximas a canais usados para irrigação e transporte de água. A qualidade do tratamento de efluentes dos data centers também é motivo de preocupação entre comunidades locais.
Especialistas apontam que a água necessária para resfriamento dos servidores pode exigir químicos, o que aumenta o risco de contaminação se descartado inadequadamente. A falta de transparência alimenta a apreensão pública.
Energia e emissões
Especialistas em energia indicam que a maior parte dos novos centros pode ser alimentada por gás natural, agravando a dependência de fósseis, ainda que haja metas de energia renovável para 2040. A matriz atual é dominada por gás e carvão, com baixa participação de renováveis.
Empresas globais, incluindo Google, ainda não divulgaram detalhes sobre consumo de água ou critérios de resfriamento, citando questões de confidencialidade. A gigante norte-americana afirma planejar compra de energia limpa, quando disponível.
O que vem a seguir
Autoridades locais estudam formas de equilibrar o crescimento econômico com a preservação de recursos hídricos. A comunidade espera maior transparência sobre impactos ambientais e participação em consultas públicas.
Relatos de moradores e trabalhadores apontam que a região precisa de respostas claras sobre impactos de longo prazo, especialmente em áreas já vulneráveis a escassez de água.
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