- O especialista Tim Lang afirma que o Reino Unido deve estocar alimentos para enfrentar choques climáticos ou guerras, pois a produção atual é bem menor do que a necessidade e a cadeia depende de poucas empresas.
- Dados indicam que o país é 54% autossuficiente em alimentos; outras nações ricas, como Estados Unidos, França e Austrália, são autossuficientes, diferente do Reino Unido.
- Em comparação europeia, o Reino Unido tem baixa autossuficiência, com a Holanda em 80% e a Espanha em 75%.
- O governo não tem planos para aumentar a autossuficiência nem meta de produção; a secretária de Meio Ambiente não definiu um percentual e citou oportunidades de crescimento em horticultura e aves, sem estabelecer um número.
- O relatório aponta vulnerabilidade estruturais: 12.284 supermercados são abastecidos por apenas 131 centros de distribuição, com nove grandes varejistas respondendo por 94,5% da alimentação vendida. Lang pede legislação de segurança alimentar e resiliência, destacando baixo investimento em defesa civil e impactos do Brexit.
O professor Tim Lang, especialista em políticas de alimentação, alerta que o Reino Unido precisa acumular comida para enfrentar choques climáticos ou guerras. Ele afirma que o país não está preparado para tais cenários.
Lang aponta que o Reino Unido produz muito menos alimento do que consome e, por ser uma ilha com dependência de poucas grandes empresas, fica especialmente vulnerável a interrupções. O alerta surgiu durante uma conferência da National Farmers’ Union em Birmingham.
O levantamento destaca que, em 2021, o Reino Unido atingiu apenas 54% de autossuficiência alimentar, ficando atrás de outras nações ricas como EUA, França e Austrália. Países como Holanda e Espanha chegam a 80% e 75%, respectivamente.
Para o especialista, a ideia de que outros alimentam o país está enraizada no sistema estatal e na lógica do agronegócio britânico. Lang afirma que outros países mantêm estoques de segurança e que o Britânico, hoje, é mais frágil que o desejado.
Como referência global, Lang cita a Suíça, que mantém estoques para três meses e trabalha para chegar a um estoque de um ano. Em contraste, o governo britânico recomenda que lares tenham apenas três dias de alimentos.
O governo não apresentou metas de autossuficiência ou planos para ampliar a produção nacional. A secretária de Meio Ambiente, Emma Reynolds, disse ser desejável aumentar a produção, especialmente em horticultura e avicultura, sem fixar um percentual.
Dados indicam queda da autossuficiência e redução na produção de trigo, carne bovina, carne de frango e legumes nos últimos anos. Em meio a isso, a dependência de importações de alimentos permanece alta.
Especialistas destacam riscos de ruptura na cadeia de suprimentos. Lang observa concentração de 12.284 supermercados em 131 centros de distribuição, o que pode deixar o sistema vulnerável a ataques ou falhas.
Segundo o relatório de Lang para a Comissão de Preparação Nacional, o gasto com defesa civil é mínimo e não há leis obrigatórias para garantir o alimento da população em cenários de crise. O Brexit também teria reduzido subsídios agrícolas e dificultado importações.
Estudos indicam queda acentuada nas importações de alimentos da UE entre 2021 e 2023, após o Brexit. A capacidade do Reino Unido de manter abastecimento está sujeita a variações de clima e políticas agrícolas.
Especialistas lembram que, com mudanças climáticas, a produção de frutas e hortaliças no sul da Europa e norte da África fica mais instável, aumentando a dependência de importações para o Reino Unido.
Lang defende uma legislação de segurança alimentar e resiliência, com o objetivo de tornar o sistema mais flexível e menos dependente de grandes varejistas. Ele aponta que o foco na eficiência pode transformar vulnerabilidade em risco.
Ele enfatiza a necessidade de incentivar a produção doméstica, por meio de políticas que valorizem a produção local, sem adotar postura nacionalista, mas buscando autossuficiência mais segura e estável.
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