- O iceberg A23a já foi o maior do mundo, cobrindo área superior a duas vezes o tamanho de Londres, mas vem se desmanchando e deve desaparecer em poucas semanas.
- Guiado por correntes, A23a percorreu Iceberg Alley em direção às Ilhas South Orkney, ficou preso em uma Taylor Column por oito meses e voltou a se mover pelo Atlântico Sul.
- Em dezembro, surgiram águas azuladas de derretimento na superfície, indicando derretimento tanto por cima quanto por baixo.
- Entre 11 dias até 22 de fevereiro, o seu restante percorreu mais de 700 quilômetros em águas superficiais perto de oito a dez graus Celsius, acelerando a fragmentação.
- Em 5 de março, o iceber já tinha cerca de 180 quilômetros quadrados e, conforme projeções, deve encolher até aproximadamente 70 quilômetros quadrados, momento em que não será mais monitorado.
O iceberg A23a, que em 1986 se desprendeu da plataforma de gelo Filchner e chegou a ter mais de 4000 km², está próximo do fim de sua história. Após décadas preso no Mar de Weddell, começou a se mover novamente em 2020 e, ao longo de 2023, revelou cavernas e arcos impressionantes em imagens de drone.
Ao longo de 2024 e 2025, o rombo começou a acelerar. Guiado por correntes oceânicas, o bloco percorreu centenas de quilômetros até entrar no que os cientistas chamam de Iceberg Alley, perto das Ilhas Orbitais. Em 2025, ficou preso por meses em um vórtice de água conhecido como Taylor Column, girando sobre o próprio eixo.
Em dezembro de 2025, sob a ação de ventos quentes, a superfície do iceberg ficou marcada por água de melt azul, com alguns metros de profundidade, presa às bordas. Pesquisadores apontam que isso indica derretimento tanto de cima quanto de baixo, acelerando a falha estrutural.
O que aconteceu, quem está envolvido
O monitoramento vem sendo realizado por especialistas da British Antarctic Survey, entre eles o professor Mike Meredith, que descreve o momento atual como o fim do ciclo de A23a. Outros pesquisadores acompanham as fraturas induzidas pela água de derretimento, numa etapa associada à hydrofracture.
A equipe de observação também destaca o papel de sondagens e imagens de satélite para entender a dinâmica do bloco. A ausência de gelo sólido o suficiente para manter a integridade levou a novas quebras, contribuindo para a progressiva redução de seu tamanho.
Quando, onde e por quê
A23a já havia iniciado trajetória descendente desde o fim de 2025 e, segundo estimativas, não deve durar mais semanas. Em março de 2026, o iceberg já recuou para cerca de 180 km², após ter atingido picos de menores áreas ao longo de seu caminho.
O recorte geográfico mostra o movimento do iceberg do Weddell para o Atlântico Sul, chegando mais próximo à temperatura das águas superficiais, que passam dos 10°C. A equipe científica sugere que o aquecimento da água contribui para o derretimento acelerado.
O que esperar
Especialistas sinalizam que, embora A23a seja o caso mais extremo de uma família de icebergs, a dissolução serve como laboratório natural para entender como plataformas de gelo da Antártida podem reagir ao aquecimento global. A previsão é de que todos os traços do iceberg desapareçam em poucas semanas.
Analistas ressaltam que o estudo de A23a ajuda a modelar a resposta de calotas e recifes de gelo à mudança climática, sem afirmar que o fenômeno é exclusivo do aquecimento. O acompanhamento continua até que não haja mais evidência do bloco.
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