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Restauração da Mata Atlântica pode depender do mercado de plantas nativas

Pesquisa aponta que 59% das espécies nativas da Mata Atlântica têm potencial bioeconômico, conectando restauração a renda de proprietários

An Araucaria angustifolia, a critically endangered conifer, in Itatiaia National Park in the Atlantic Forest.
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  • Estudo liderado pela Universidade de São Paulo investiga restauração da Mata Atlântica e o uso econômico de plantas nativas para equilibrar conservação e renda de proprietários de terras privadas.
  • Em áreas de restauração, 59% das espécies nativas têm potencial de mercado, principalmente nos setores medicinal, cosmético e alimentício, com possibilidade de manejo não destrutivo.
  • Ameaças persistem: cerca de 75% da região é de propriedade privada e há dificuldade para convencer proprietários de que a recuperação florestal traz benefícios indiretos, como regulação hídrica, proteção do solo e polinização.
  • Desde 2009, o Pacto pela Restauração da Mata Atlântica atua em 17 estados com a meta de restaurar 15 milhões de hectares, envolvendo proprietários privados como parte essencial do esforço.
  • Pesquisadores ressaltam a necessidade de desenvolver toda a cadeia de oferta da restauração, assegurando sementes e mudas viáveis, para que plantas nativas gerem renda sem comprometer a recuperação florestal.

O estudo publicado na revista Ambio avalia como a restauração da Mata Atlântica pode se sustentar economicamente, especialmente em áreas de propriedade privada. A pesquisa aponta que parte relevante das espécies nativas tem potencial bioeconômico, o que pode incentivar proprietários a investir na recuperação florestal. O foco está em conectar biodiversidade, ganhos econômicos e apoio social.

Os pesquisadores estudaram áreas em restauração, mapeando a riqueza e a abundância de plantas nativas. Utilizaram registros de patentes para usos medicinais, cosméticos e industriais, cruzando com listas de espécies presentes nas áreas. O resultado: quase 60% das espécies nativas teriam potencial de exploração econômica não destrutiva.

O autor principal, Pedro Medrado Krainovic, é pesquisador pós-doutoral da Universidade de São Paulo. Ele indica que a ideia não é apenas valorizar a biodiversidade, mas encontrar um equilíbrio entre restauração, ganhos para proprietários e apoio comunitário, conceito conhecido como bioeconomia.

A Mata Atlântica percorre a costa leste do Brasil e se estende a partes de Argentina e Paraguai. Segundo Krainovic, o bioma abriga cerca de 70% da população brasileira em áreas de influência direta, o que ele classifica como um desafio de longo prazo para a conservação.

Dados indicam que apenas 24% da cobertura original da Mata Atlântica permanece. Desde 2009, o Pacto de Restauração da Mata Atlântica busca recompor 15 milhões de hectares, envolvendo 17 estados e a participação de proprietários, já que aproximadamente 75% do território é privado.

A pesquisa compara áreas com restauração ativa, regeneração natural e plantações de eucalipto abandonadas. Com esse quadro, os autores calculam a riqueza de espécies e avaliam usos potenciais das plantas nativas na indústria e na agricultura.

Entre as descobertas, 283 espécies nativas foram identificadas no conjunto estudado, das quais 59% apresentariam viabilidade de mercado nos setores medicinal, cosmético e alimentício. A ideia é gerar renda sem comprometer a restauração e a biodiversidade.

No entanto, os pesquisadores destacam entraves reais. A viabilidade depende do desenvolvimento de uma cadeia de abastecimento completa, com sementes e mudas disponíveis no mercado. A logística de comercialização é um desafio adicional.

Especialistas ouvidos pela imprensa destacam que o financiamento de longo prazo é essencial. Projetos costumam oferecer apoio financeiro por curto período, o que pode deixar produtores sem retorno após alguns anos. O acesso a recursos para pequenos proprietários é apontado como crucial.

Além do financiamento, a comunicação sobre opções de restauração e o manejo de espécies nativas exigem orientação técnica. O estudo sugere que políticas públicas e iniciativas privadas devem criar condições para que pequenas propriedades participem de cadeias de fornecimento de plantas nativas.

Implicações para políticas públicas

Segundo Krainovic, as conclusões podem orientar decisões governamentais sobre restauração e fortalecimento de cadeias produtivas verdes. O objetivo é manter a Mata Atlântica em pé, integrando-a a um modelo de bioeconomia sustentável e remunerado.

Desafios práticos

A pesquisa aponta que o sucesso depende de apoio contínuo a proprietários, comunidades locais e povos indígenas. A experiência de outros biomas mostra que investimentos isolados podem falhar sem estruturas de risco compartilhado.

Perspectivas para o futuro

A visão dos autores é transformar a restauração em um pilar de economia verde, com plantas nativas conectando restauração, uso econômico e conservação. O estudo enfatiza a necessidade de ações integradas entre governo, setores privados e comunidades locais.

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