- Os Thonga de Kosi Bay foram deslocados na década de oitenta para a criação da área protegida, e hoje muitos vivem longe das lagoas, dependendo do turismo para manter a cultura.
- A técnica de pesca com a kraal (merca) e o arpão faz parte de um modo de vida com mais de quatro séculos de tradição, usando passagens em alambrados de tablas nas lagoas para direcionar peixes.
- O parque iSimangaliso Wetland Park (desde 2000) envolve a proteção de espécies endêmicas e a conservação dos nagais, com a região ligando-se ao sistema de quatro lagos de Kosi Bay.
- Grupos deslocados, como o Kosi Bay Displaced Communities Committee, afirmam sentir-se excluídos das decisões de planejamento e do benefício econômico do turismo que diz respeitar a cultura Thonga.
- O turismo gera empregos diretos e indiretos na região, mas ainda há questionamentos sobre a repartição de benefícios entre a comunidade Thonga e o setor turístico formal.
Kosi Bay, África do Sul — a comunidade Thonga está buscando manter tradições de pesca com o apoio do turismo, após deslocamento forçado para proteção ambiental. Técnicos locais demonstram o uso de armadilhas de pesca e lanças para visitantes, destacando a prática histórica de mais de 700 anos.
Fano Tembe, 28 anos, guia a demonstração de pesca com lança junto a um modelo de armadilha de peixe. Ele explica o funcionamento da kraal e como as passagens de peixes são direcionadas para o funil, sem prejudicar o estoque, segundo relatos locais.
A visita ocorre em Kosi Bay, estuário remoto no leste da África do Sul, próximo à fronteira com Moçambique. A região abriga o iSimangaliso Wetland Park, criado como área protegida e reconhecida pela UNESCO em 2000.
A formação das comunidades mudou após a criação da reserva na década de 1980, quando moradores foram removidos de casas e plantações. Hoje, muitos deslocados vivem fora da área protegida, mantendo a prática da pesca apenas de forma esporádica.
Para alguns Thonga, o turismo surge como via de sustento. Contudo, há preocupações sobre inclusão nos benefícios econômicos e na tomada de decisões que moldam o setor, inclusive o plano de manejo integrado da área.
Mthokozisi Nsele, 37 anos, guia operadores turísticos locais e também pertence a famílias com tradição na pesca com kraal. Ele afirma que a participação nos ganhos do turismo ainda não é favorável a todos os pescadores tradicionais.
O sistema de kraal envolve estacas que formam uma cerca nas lagoas, com uma passagem que separa peixes maiores, capturados pela lança, de peixes menores que seguem para o oceano. O método é descrito como de baixo impacto ambiental, conforme especialistas entrevistados.
Entre as famílias deslocadas, há relatos de perdas de terras, abrigos e locais de sepultamento. O Comitê das Comunidades Deslocadas de Kosi Bay (KBDCC) realizou uma marcha em 2025, entregando uma petição a autoridades locais para ampliar a participação nas decisões de gestão.
As autoridades do iSimangaliso afirmam ter promovido consultas e participação pública, mas reconhecem conflitos de jurisdição e ressaltam que a gestão visa equilibrar conservação e usos tradicionais. O debate continua entre preservação ambiental e direitos comunitários.
Hoje, parte da renda local vem do turismo associado às tradições Thonga, como guias, artesanato e comércio de itens culturais. Ainda assim, muitos moradores deslocados sentem-se excluídos dos benefícios diretos e do planejamento da área protegida.
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