- Novo estudo aponta que o paladar dos mosquitos pelo sangue humano surgiu entre 2,9 milhões e 1,6 milhão de anos atrás, provavelmente em uma única mudança evolutiva.
- O grupo Anopheles, hoje responsável por picadas em humanos e por doenças como malária, dengue e chikungunya, representa menos de 10% dos mosquitos conhecidos.
- A mudança de paladar coincide com a chegada do Homo erectus à região de Sondalândia há cerca de 1,8 milhão de anos, sugerindo convivência prolongada entre humanos e mosquitos.
- A pesquisa, publicada no periódico Scientific Reports, analisou o DNA de 40 mosquitos de 11 espécies do grupo Leucosphyrus para traçar a história evolutiva do comportamento.
- Nos últimos 10 mil anos, outras espécies, como Aedes aegypti, também passaram a preferir o sangue humano, especialmente em áreas desmatadas, com impacto na transmissão de dengue e zika.
A preferência de mosquitos pelo sangue humano surgiu entre 2,9 milhões e 1,6 milhão de anos atrás, associada à migração de Homo erectus. O estudo indica que esse paladar se consolidou em uma linha de Anopheles, hoje responsável por algumas das principais picadas humanas.
Segundo a pesquisa, a espécie humana se espalhou pela região conhecida como Sondalândia, há cerca de 1,8 milhão de anos, o que pode ter contribuído para a frequência de encontros entre humanos e mosquitos. A convivência prolongada pode ter favorecido mudanças de comportamento nos mosquitos.
Origem evolutiva e métodos
O trabalho, publicado no Scientific Reports, analisou o DNA de 40 mosquitos de 11 espécies do grupo Leucosphyrus. Os dados ajudaram a mapear onde e quando as picadas migraram de primatas para humanos.
Implicações arqueológicas e contemporâneas
A pesquisa também oferece pistas sobre a saída de humanos da África para a Ásia, em linha com fósseis na China de até 1,77 milhão de anos. Nos últimos 10 mil anos, outras espécies, como Aedes aegypti, adotaram o paladar humano.
Indicadores de saúde pública
Ainda que as espécies letais sejam a minoria, mosquitos são vetores de malária, dengue e chikungunya. Em 2022, a malária sozinha foi associada a mais de 600 mil mortes, entre os casos registrados. A expansão humana e desmatamento influenciam mudanças no comportamento de alimentação dos mosquitos.
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