- Temporais na Zona da Mata mineira deixaram três mil desabrigados, milhares de desalojados e quarenta e nove mortos, com Juiz de Fora e Ubá entre as áreas afetadas.
- Especialistas ouvidos pela Agência Brasil atribuem os desastres a mudanças climáticas e à negligência em políticas públicas de proteção ambiental.
- O geógrafo da UFJF alerta que chuvas extremas devem se tornar mais frequentes e defende maior foco no ordenamento urbano para reduzir riscos.
- Dados apontam queda de recursos da Defesa Civil de Minas Gerais entre 2023 e 2025, o que compromete ações de prevenção e resposta a eventos climáticos.
- Soluções discutidas incluem intervenções de engenharia como pôlderes, parques públicos e aumento da permeabilidade do solo; obras de macrodrenagem em Juiz de Fora + 100 avançam, com repasses federais aprovados.
Os temporais que atingiram a Zona da Mata mineira deixaram milhares de desabrigados e desalojados, com registro de dezenas de mortes. A avaliação aponta para a atuação combinada de fatores climáticos extremos e vulnerabilidades humanas na região, incluindo Juiz de Fora e Ubá.
Especialistas ouvidos pela Agência Brasil apontam que mudanças climáticas elevam a ocorrência de chuvas intensas e eventos extremos. A leitura é de que os padrões passados não são mais suficientes para prever impactos e planejar respostas eficientes.
A queda de recursos públicos para enfrentamento de desastres também é mencionada como elemento crítico. Levantamento do Globo, com dados oficiais, indica recuo de verbas da Defesa Civil estadual entre 2023 e 2025, em meio a debates políticos sobre prioridades orçamentárias.
Contexto climático e vulnerabilidade
Para o geógrafo Miguel Felippe, extremos ambientais refletem alterações climáticas, exigindo políticas públicas robustas. Ele afirma que medidas de mitigação precisam avançar em planejamento urbano e proteção de terrenos, sob risco de recorrência de desastres.
Felippe ressalta que áreas de baixa renda são as mais afetadas. Segundo ele, o controle do ordenamento urbano está ligado à definição de risco, e o público vulnerável costuma residir em zonas mais expostas a enchentes e deslizamentos.
Desafios no ordenamento urbano
O professor afirma que a cidade cresceu em áreas de várzea próximas a rios, o que aumenta a vulnerabilidade a cheias. A solução envolve melhorar o controle de ocupação do solo e priorizar intervenções que elevem a resiliência das comunidades mais pobres.
Entre as propostas estão ações de mitigação que, segundo especialistas, ainda enfrentam restrições orçamentárias. Estudos indicam que cortes de recursos afetam ações de Defesa Civil e de planejamento urbano, impossibilitando respostas rápidas.
Soluções de engenharia e mobilização
Especialistas em drenagem urbana sugerem medidas como estruturas de contenção em áreas de várzea e fortalecimento de muros de contenção para reduzir impactos de cheias. Também é defendida a construção de parques públicos que atuem como aliviadores de rede de drenagem.
A técnica de pôlderes, conhecida no Brasil, é citada como possibilidade para isolar áreas inundáveis e gerenciar o escoamento com bombas de remoção do excesso de água. A prática é inspirada em modelos adotados na Holanda.
Investimentos e projetos em andamento
O município apresenta estudos para intervenções em bairros específicos, com foco na contenção de encostas. Em nível federal, houve aprovação de recursos para contenção de encostas via Novo PAC, embora parte tenha sido liberada de forma resumida.
Para drenagem urbana, está prevista uma soma significativa de repasses. Os projetos integram o conjunto denominado Juiz de Fora + 100, com ações em bairros como Santa Luzia, Industrial, Mariano Procópio e Democrata.
Desfecho local e perspectivas
As autoridades locais trabalham para reduzir riscos e acelerar o processo de recuperação. A gestão pública busca ampliar a resiliência urbana e consolidar medidas de adaptação às mudanças climáticas, visando evitar novos desastres em períodos de chuva intensa.
A população permanece em situação de vulnerabilidade em áreas de risco, onde a recuperação é lenta. A atuação integrada entre governo, sociedade civil e iniciativa privada é apontada como essencial para aumentar a capacidade de resposta.
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