- Tempestades rápidas atingem o Mediterrâneo ocidental neste ano, causando destruição generalizada e levantando perguntas sobre o papel da mudança climática.
- Em Grazalema, Espanha, choveu o volume de um ano em duas semanas, inundando casas e levando autoridades a ordenar evacuações devido ao aquecimento do aquífero cársico.
- Em Leiria, Portugal, ventos de até 176 km/h derrubaram estruturas, interromperam energia, internet e telefonia, e moradores relataram danos e mortes em acidentes ligados à tempestade Kristin.
- Em Safi, Marrocos, tempestades desde dezembro causaram 43 mortes, com ruínas em medinas e prejuízos ao comércio local de cerâmica.
- Estudos científicos indicam que eventos extremos na região ficaram mais prováveis ou intensos com aquecimento global; ainda há incerteza sobre a extensão exata da influência climática.
O Mediterrâneo ocidental vive uma sequência de tempestades que, segundo estudo recente, resulta em danos extensos e mortes. A região teve séries de eventos climáticos severos nos últimos meses, com impactos em Espanha, Portugal e Marrocos.
Em Grazalema, Espanha, a precipitação em duas semanas superou o que costuma ocorrer ao longo de um ano. O aquífero karstico da região ficou sobrecarregado, levando à inundação de casas e à ordem de evacuação de moradores.
Na região de Leiria, em Portugal, ventos fortes atingiram a área durante a passagem de tempestades no início de fevereiro. A base aérea Monte Real registrou ventos de até 176 km/h antes de interromperem as medições, e serviços essenciais ficaram indisponíveis.
Nelson Duarte, morador de Monte Real, relatou que a tempestade deixou várias falhas em serviços essenciais e causou danos a propriedades. Ele descreveu o som de estruturas que cediam, telhas arremessadas e árvores derrubadas.
Em Carvide, próximo a Leiria, uma casa desabou enquanto um operário e seu pai trabalhavam na recuperação de um abrigo. O pai conseguiu chegar a uma estação de bombeiros para pedir ajuda, mas o filho ficou preso sob os escombros e morreu.
O comando dos bombeiros voluntários de Vieira de Leiria informou que dois óbitos atribuídos ao episódio ocorreram na região Carvide-Leiria. Em 24 horas, as equipes atenderam a 50 ocorrências relacionadas a tempestades, com 15 vítimas envolvidas em acidentes.
Em Portugal, quatro regiões registraram recordes de chuva em janeiro. Dados da Climate Central indicam que uma onda de calor marinha, associada ao aquecimento global, intensificou as tempestades no início de fevereiro, aumentando o risco de enchentes.
No Marrocos, Safi, polo cerâmico, sofreu com deslizamentos de lama que devastaram lojas de cerâmica no souk. Ao menos 43 pessoas morreram no país desde meados de dezembro, muitas na medina, ao serem arrastadas pela água.
Amal Essuide, proprietária de um hotel na medina de Safi, relatou o momento em que a água chegou aos estabelecimentos. Ela descreveu o resgate da equipe de emergência e a percepção inicial de que os danos seriam menores, seguidos pela realidade de perdas significativas.
Estudos preliminares indicam que, entre Espanha, Portugal e Marrocos, os dias de chuva mais intensa tinham acumulados de água até 30% superiores aos de décadas anteriores. Em regiões do norte, a alta de precipitação foi estimada em 11% devido ao aquecimento global, embora haja incerteza na região sul.
A avaliação de pesquisadores da World Weather Attribution aponta que políticas de carbono associadas ao aquecimento oceânico aumentaram a intensidade das precipitações. Analistas destacam que a região pode enfrentar padrões de tempestades mais severas com o superaquecimento regional.
Autoridades espanholas elogiaram a evacuação rápida em Grazalema, com colaboração entre autoridades locais de diferentes cidades. Em Portugal, moradores destacaram falhas na comunicação de alertas públicos durante o episódio de janeiro.
A situação atual evidencia a necessidade de adaptação às mudanças climáticas na Europa ocidental, com a mitigação de riscos e melhoria de redes de proteção civil. As informações são parte de estudos em andamento e de relatos locais das vítimas.
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