- Barrancabermeja, maior cidade petrolífera da Colômbia, enfrenta derrames de Ecopetrol que atingem os manguezais de San Silvestre, prejudicando água e fauna.
- Relatos apontam mais de 800 casos de “dano ambiental significativo” atribuídos a vazamentos de petróleo, principalmente entre os anos noventa e dois mil.
- A refinaria, de propriedade majoritariamente estatal, produz até 250,000 barrels de crude por dia e atende cerca de 80% da demanda nacional, segundo fontes da empresa.
- Comunidades ribeirinhas descrevem queda de peixes, degradação da qualidade da água e risco para fauna como lontras, tartarugas e jacarés; atividades de pesca são perigadas por grupos armados.
- Assassínios, extorsões e ameaças a pescadores aumentaram, levando ao deslocamento de 26 famílias de pescadores em fevereiro de 2025, em meio a operações de gangues que roubam combustível.
O que aconteceu é um derramamento de óleo próximo aos ecossistemas de San Silvestre, nos wetlands de Barrancabermeja, na Colômbia. Um cano rompido liberou óleo cru na água, comprometendo o habitat de peixes, tartarugas, botos e aves. A comunidade local afirma que o impacto é imediato e severo para a vida aquática e para quem depende da região para pesca.
Quem está envolvido inclui Ecopetrol, a maior empresa de petróleo do país, operadora da refinaria na cidade. Autoridades ambientais e moradores denunciam danos ambientais recorrentes ligados a vazamentos e às operações da refinaria. Organizações de defesa ambiental destacam o histórico de conflitosos com a empresa e com grupos armados na área.
Quando ocorreu? O derramamento atual é descrito como parte de incidentes prolongados, com relatos de vazamentos históricos entre os anos 1990 e 2010. No curto prazo, incidentes envolvendo a tentativa de contenção da mancha e a limpeza de áreas afetadas ocorreram recentemente, com medidas de remediação anunciadas pela Ecopetrol.
Onde tudo acontece: Barrancabermeja, cidade reconhecida como grande polo de óleo na Colômbia, situada no Valle del Magdalena. As manchas atingem os ecossistemas úmidos de San Silvestre, um espaço crítico para a biodiversidade que abriga animais como tartarugas, maniates e várias espécies de peixes. Comunidades locais dependem da pesca para o sustento.
Por quê? A contaminação é associada a falhas em operações de extração e transporte de óleo, bem como a uma rede de vazamentos históricos que ainda não foram totalmente remediados. Relatos de organizações internacionais apontam para uma suposta prática de ocultação de incidentes e falhas na comunicação às autoridades. Ecopetrol sustenta que cumpre a legislação ambiental e investe em proteção ambiental, enquanto nega relação direta entre seus ativos e a poluição persistente.
O impacto humano é mensurado por agricultores e pescadores locais. Luís Carlos Lambrano relata queda de peixes, cobras, aves e quelônios, além de água de qualidade restrita. Velásquez, líder local, destaca ameaças recebidas por defender o ambiente e diz que dezenas de famílias deixaram a região em função da insegurança.
Do outro lado, o território também é alvo de atividades de grupos armados que operam na área, com exploração de combustível e intimidação de comunidades. Especialistas de organizações de direitos humanos ressaltam que a presença de tais grupos agrava riscos para quem trabalha na região, inclusive para quem monitora a qualidade da água.
Nota-se ainda que comunidades locais pedem medidas práticas para retornar à normalidade: acesso sem restrições ao rio, proteção de quem vive da pesca e fiscalização mais efetiva sobre vazamentos e a poluição. A expectativa é por ações de remediação contínuas e maior transparência sobre incidentes ambientais na região.
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