- O programa britânico Channel 4, Dirty Business, defende a nacionalização da indústria de água, apresentando casos de poluição por esgoto e falhas regulatórias.
- A história de Heather Maughan, que morreu em 1999 após contrair E. coli O157 em Dawlish Warren, Devon, é usada para questionar a privatização iniciada há décadas.
- Hoje, a água privatizada envolve fundos de hedge, fundos soberanos e de pensão, com episódios de poluição e dívidas elevadas que impactam investimentos em infraestrutura.
- Ativistas de Surfers Against Sewage e investigadores mostraram falhas de Thames Water e pressão por mudanças, incluindo potencial administração especial da empresa.
- O governo analisa opções, enquanto críticos argumentam que o modelo de gestão privado precisa ser substituído por controle público para reduzir poluição e tarifas.
O drama Dirty Business da Channel 4 revela como a morte de Heather Maughan, em 1999, abriu debate sobre a poluição por esgoto nas praias inglesas e a responsabilidade das companhias de água. Heather, de oito anos, ficou reduzida a um caso de misadventure após contrair E coli O157 em Dawlish Warren, Devon. O inquérito não identificou a causa e a família decidiu desligar a máquina de suporte vital.
Heather adoeceu duas semanas após brincar no mar. O esgoto cru derramado em praias foi apontado como fonte provável, mas o inquérito não concluiu a culpa, mantendo o veredito de falha acidental. A época marcou uma forte cobrança pública por ação contra a poluição.
Na virada dos anos 2000, a privatização do setor de água, iniciada em 1989, foi apresentada como garantia de investimento e eficiência. Hoje, porém, o setor é majoritariamente de fundos privados, soberanos e de pensões, segundo reportagens recentes.
A poluição de rios e praias ganhou destaque com a cobertura do Guardian, que expôs níveis recordes de esgoto cru na Inglaterra. A resposta inicial do regulador ambiental, a Environment Agency, foi alvo de críticas por subavaliação da gravidade.
Dois ativistas destacam-se na narrativa de Dirty Business: Peter Hammond, ex-professor, e Ash Smith, ex-detective, que investigam a falha de Thames Water em investir em infraestrutura. Suas apurações apontam despejo ilegal de esgoto e dificuldade de controle regulatório.
A série segue até Westminster, onde evidências apresentadas por Hammond e Smith geram pressão para que Thames Water seja colocado sob administração pública especial. O tema envolve o equilíbrio entre interesse público e investimentos privados.
No atual cenário, o governo enfrenta dilemas sobre o uso de sanções futuras. Há propostas de flexibilizar multas para companhias poluidoras em troca de estabilidade para investidores, posição criticada por defensores de serviços públicos.
Perageu, ativistas afirmam que o setor não pode continuar como está. Chris Hinds, da Surfers Against Sewage, enfatiza que a água é responsabilidade da população e não deve servir a fins lucrativos, defendendo a volta à gestão pública.
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