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Como vila galesa salvou sua floresta e seu futuro

Treherbert firma acordo com o governo para gerir a floresta local em parceria, criando modelo de manejo comunitário com impacto socioambiental duradouro

Cwm Saerbren woods above Treherbert, Rhondda valley.
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  • Em fevereiro de 2020, enchentes em Pentre levaram moradores a enfrentarem água até os joelhos, após anos de manejo das florestas pela NRW e políticas de corte de árvores.
  • O projeto Skyline, em parceria com Welcome to Our Woods, propôs co-gerência das florestas com a NRW, buscando participação da comunidade.
  • Ao longo de dezoito meses, moradores e NRW discutiram como gerenciar a mata: a ideia é manter desbastes anuais em vez de desmatamento completo (clear felling).
  • Em março de 2022, foi apresentado o plano de recursos florestais com a meta de atuar em blocos ao longo de uma década, reduzindo conflitos e envolvendo comunidades.
  • Em 2024, parte da madeira foi destinada à incineração para energia, enquanto a comunidade constrói infraestrutura própria ( ronda de madeira, fábrica de processamento) e Treherbert passa a ser referência de gestão compartilhada de terras públicas.

A vila de Treherbert, no Vale de Rhondda, viu sua paisagem florestal mudar radicalmente após uma inundação ocorrida num sábado de fevereiro de 2020. Chuvas intensas levaram água aos arredores da vila, derrubaram encostas e saturaram o solo, trazendo riscos para residências e infraestrutura local.

Antes da tragedia, a região já carregava um histórico de mineração, com florestas dominadas por teixos utilizados como props de minas. A floresta tornou-se de difícil acesso, e autoridades chegaram a realizar corte de árvores sob licenças da Natural Resources Wales (NRW), gerando descontentamento entre moradores e frequentadores da área.

Naquela noite, o acúmulo de água fez as margens romperem e a água invadiu a parte baixa da vila, causando alagamentos. A inundação deixou pessoas com água aos joelhos e evidenciou a vulnerabilidade de um ecossistema marcado pela passagem de tempo e pela exploração humana.

Um novo caminho de gestão florestal

Eighteen meses após o desastre, no interior da clareira de uma floresta, o debate sobre governança ganhou contornos práticos. Richard Phipps, representante da NRW, apresentou o papel da agência na gestão das florestas de Wales, incluindo planos de manejo bienais e políticas de corte. A participação pública, tradicionalmente online, ganhou impulso com visitas guiadas ao bosque.

As comunidades locais passaram a dialogar com a NRW por meio do Skyline project, iniciado por Chris Blake e a associação Welcome to Our Woods. O objetivo era co-gerir a floresta, com encontros presenciais e uma visão de longo prazo para o manejo do território e a produção de recursos.

Durante as reuniões, propostas de manejo passaram a prever cooperação 50-50 entre a NRW e a comunidade, evitando a ideia de felling total de grandes áreas. Ian Thomas, da Welcome to Our Woods, enfatizou a necessidade de manter participação local para evitar perdas de habitat e preservar atividades de lazer.

O conceito de desbaste constante, conhecido como continuous cover, ganhou espaço. A ideia é manter árvores em diferentes idades, retirando apenas as maiores ou mais fracas a cada ano, assegurando produção contínua de madeira e preservação do ecossistema ao longo de décadas.

Caminhos para a economia local

Ao longo de 18 meses de conversas, foram discutidas alternativas, como manejo de abelhas, geração de energia com água e vento, além da criação de uma empresa florestal local para transformar a madeira em materiais de construção, gerando empregos na região.

Em março de 2022, o plano de recursos florestais foi apresentado aos moradores de Treherbert. Phipps anunciou que as operações de corte seriam realizadas em blocos ao longo de uma década, mantendo sempre áreas disponíveis para uso comunitário. A meta era reduzir conflitos entre comunidade e NRW.

Dois anos depois, novas visitas ao vale mostraram avanços e também tensões. Em 2024, grandes caminhões chegaram para a extração de madeira, que foi destinada a uma usina de biomassa. A madeira retirada alimentou o funcionamento de instalações de energia na região.

Legado e perspectivas futuras

Entre as estruturas criadas, destaca-se o Rhondda larch, com um espaço comunitário de madeira que funciona como ponto de encontro. A comunidade pretende transformar o local em um polo de turismo e educação ambiental, integrando um circuito de construções de madeira sustentável.

A gestão compartilhada de terras públicas ganhou visibilidade como modelo. A experiência de Treherbert, descrita como pioneira na região, é apresentada como referência para outras comunidades pós-industriais, interessadas em combinar conservação ambiental com benefícios para as pessoas.

A operação demonstra que o acesso à madeira pode gerar oportunidades econômicas sem sacrificar a natureza. O caso é visto como referência para políticas públicas que promovam governança local e participação cidadã na gestão de recursos naturais.

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