- Em 1999, Heather Preen, oito anos, contraiu E. coli O157 em uma praia de Devon e morreu duas semanas depois.
- O caso está no drama Dirty Business, da Channel Four, que investiga o despejo ilegal de esgoto cru por empresas de água na Inglaterra.
- Heather ficou doente após beber água contaminada durante férias em Dawlish Warren; a família foi envolvida em uma cadeia de diagnósticos até a morte por falência múltipla de órgãos.
- O filme mostra falhas do setor desde a privatização, com relatos de investimentos reduzidos e práticas de descarte de esgoto em rios e praias, com uso de câmeras ocultas e pedidos de informação.
- Em resposta à divulgação, a South West Water afirmou não ter acesso ao programa para comentar; a praia de Dawlish Warren foi classificada com boa qualidade de água desde 1996, segundo dados da época.
Heather Preen tinha oito anos quando, em 1999, contraiu a bactéria E. coli O157 em uma praia de Devon, no Reino Unido, e faleceu duas semanas depois. A morte ocorreu em meio a casos de intoxicação averiguados por órgãos de saúde locais. A família informou que, após o diagnóstico, houve sofrimento prolongado e decisões difíceis sobre a continuidade de suporte vital. O caso permanece como símbolo de preocupações com saneamento e poluição hídrica na época.
Em torno do ocorrido, surgiram investigações sobre a origem da contaminação. A família de Heather, especialmente a mãe Julie Maughan, passou anos buscando respostas sobre por que a tragédia não recebia o engajamento público esperado. O episódio alimentou debates sobre a qualidade de praias e o papel das companhias de água na gestão de resíduos.
Dirty Business, drama factual da Channel 4, revisita esse tema agora, ao explorar casos de despejo de esgoto cru por grandes empresas de água na Inglaterra. A produção intercala relatos de atores com depoimentos de pessoas que vivenciaram poluição de rios e praias, além de imagens de inundações de esgoto em áreas litorâneas. O objetivo é provocar reflexão sobre políticas públicas e fiscalização.
O documentário utiliza relatos de denunciantes e dados históricos para mostrar mudanças na gestão do setor desde a privatização iniciada no final dos anos 1980. A obra destaca falhas de investimento, além de períodos de alta lucratividade para as companhias e repetidos despejos de esgoto sem tratamento em mares e rios. Em 2024, dados oficiais indicaram dezenas de milhares de horas de despejo de esgoto cru em águas britânicas.
Entre as vozes retratadas, há familiares que relatam o impacto humano da contaminação e lembram a filha de Heather, retratada como alma da família. A reportagem também traz depoimentos de especialistas em saúde pública sobre os riscos da exposição a patógenos higiênicos e as consequências para crianças. O filme também analisa o marco de Thatcher e as políticas de desregulamentação, associando-as a mudanças na infraestrutura hídrica.
South West Water, uma das empresas citadas, afirmou que ainda não teve acesso ao conteúdo completo do programa para comentar e ressaltou que as águas de banhos na época passaram por monitoramento e testes. A empresa acrescentou que Dawlish Warren manteve classificação de qualidade de água ao longo dos anos, segundo levantamentos de vigilância ambiental.
Dirty Business vai ao ar na Channel 4 às 21h nos dias 23, 24 e 25 de fevereiro, com disponibilidade de streaming. O objetivo da produção é informar o público sobre a poluição hídrica e incentivar debates sobre governança e responsabilidade setorial.
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