- Em outubro de 2025, uma equipe de vinte cientistas da Konservasi Indonesia, Thrive Conservation, Elasmobranch Institute e universidades da Indonésia e Timor-Leste realizou a expedição nas Lesser Sunda Seascape, incluindo o estreito Ombai, importante corredor migratório.
- Pela primeira vez, baleias azul pequenas (Balaenoptera musculus brevicauda) foram marcadas por drone com tags tipo limpet, que medem profundidade, posição e temperatura da água.
- Após nove tentativas frustradas, a equipe conseguiu fixar a tag em 13 de outubro de 2025; cada tag custa cerca de $5.500 e apenas quatro estavam disponíveis.
- Os dados mostraram que a baleia percorreu mais de dois mil quilômetros, passando por áreas de tráfego marítimo e zonas de cultivo de algas, revelando um novo corredor e um novo local de alimentação.
- O trabalho deve apoiar a criação de áreas marinhas protegidas na Banda Sea e expandir o uso da técnica para Timor-Leste e outras regiões, com planos de ampliar o programa a outros países.
A equipe de pesquisadores indonésios conseguiu fixar pela primeira vez uma tag satélite em uma baleia-azul-pigmelina, espécie entre as mais ameaçadas, usando um drone. O objetivo foi mapear rotas, definir áreas de alimentação e entender o caminho migratório para o Sul Antártico. A operação ocorreu entre 5 e 16 de outubro de 2025, na região das Pequenas Ilhas de Sonda, dentro do Lesser Sunda, em áreas próximas à Indonésia.
Os trabalhos envolveram 20 cientistas de Konservasi International, Thrive Conservation, do Elasmobranch Institute e de universidades da Indonésia e de Timor-Leste. O local de estudo incluiu o Ombai Strait, conhecido como corredor migratório crucial para a espécie. Ações de campo integraram o uso de um tag tipo limpet, leve o suficiente para ser transportado pelo drone, que se fixa à pele com pequenas barbaduras.
A expedição também resultou na coleta de dados para apoiar a criação de uma área marinha protegida no Pacífico Indonésio para a Banda Sea, além da recente criação, em dezembro de 2025, da West Wetar Marine Protected Area, dentro do Lesser Sunda Seascape. As informações visam embasar decisões governamentais sobre proteção de habitats.
A técnica de tagging com drone oferece vantagens em relação aos métodos tradicionais, reduzindo o estresse aos animais ao aumentar o alcance de aplicação. O equipamento utilizado permitiu registrar profundidade, posição e temperatura da água com menor perturbação aos animais, segundo especialistas participantes. O custo estimado de cada tag fica em torno de 5,5 mil dólares, e a equipe operou com quatro unidades durante a missão.
No decorrer da operação, os pesquisadores enfrentaram uma fase inicial de baixa avidez dos cetáceos, com a avistagem de aves marinhas sendo mais frequente nos primeiros dias. Após várias tentativas, houve sucesso no dia 13 de outubro, quando a baleia recebeu o tag. Os registros indicam que o animal percorreu áreas com tráfego marítimo, áreas de cultivo de alface-do-mar e correntes relevantes para a rota sul rumo à Antártida.
As análises iniciais apontam que a baleia viajou por mais de 2 mil quilômetros durante o monitoramento, revelando um novo corredor de migração e um sítio de alimentação ainda não documentados. A descoberta amplia o conhecimento sobre o deslocamento da espécie entre Indonésia e outras regiões, contribuindo para estratégias de proteção mais precisas.
Pesquisadores externos destacaram que o uso de drones para o tagging representa avanço em bem-estar animal e em eficiência metodológica. Especialistas de instituições australianas e brasileiras ressaltaram que, embora o método ofereça benefícios, o acompanhamento de longo prazo de tags implantadas ainda está em desenvolvimento, com perspectivas de ampliação futura de uso.
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