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Aquecimento dos mares transforma recifes de corais ao redor do mundo

Evento global de branqueamento entre 2014 e 2017 atingiu mais da metade dos recifes, com about 15% de mortalidade, evidenciando impactos crescentes do aquecimento oceânico

Ailinginae Atoll in the Marshall Islands. Photo credit: Greg Asner
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  • O Evento Global de Branqueamento de Corais de 2014–2017 afetou mais da metade dos recifes no mundo, com branqueamento moderado ou pior e cerca de 15% com mortalidade moderada ou maior.
  • O dano foi superior a eventos anteriores, com ondas de calor marinhas prolongadas globalmente por três anos.
  • Branqueamento ocorre quando algas simbióticas são expulsas devido ao estresse térmico, deixando o coral sem principal fonte de energia e sob estresse fisiológico.
  • Espera-se que os eventos se tornem mais frequentes e longos, com algumas regiões enfrentando risco quase contínuo até o fim do século; já houve o quarto episódio global desde 2023.
  • A recuperação é lenta e varia; estratégias locais de resiliência incluem reduzir poluição, manejo de pesca e áreas marinhas protegidas, além de pesquisas sobre adaptação e restauração.

O branqueamento de corais está relacionado ao aquecimento dos mares, que desorganiza a relação entre o coral e as algas que vivem em suas células. Quando a água fica quente demais, o coral expulsa as algas, perde cor e entra em estresse. Ainda vivo, ele fica mais vulnerável.

Pesquisadores destacam que o fenômeno, embora antigo, ganhou escala nas últimas décadas. Em 2014-2017, ondas de calor marinho afetaram recifes globalmente por um período incomummente longo, superando eventos anteriores em extensão e intensidade. A crise foi vinculada ao aquecimento oceânico.

Um estudo global recente na Nature Communications baseou-se em mais de 15 mil levantamentos de recifes. Calcula que mais da metade dos recifes do mundo sofreram branqueamento moderado ou pior, e cerca de 15% apresentaram mortalidade moderada ou maior. O dano foi maior que qualquer evento prévio.

A região do Caribe, Indo-Pacífico e áreas adjacentes registraram grandes impactos. Em muitos locais, o aquecimento persistente ocorreu por três anos, dificultando a recuperação das estruturas de recife e dos estoques de energia das colônias. A análise ressalta a falta de tempo para recuperação entre eventos.

Como funciona o branqueamento — e por que ele mata —, segundo os especialistas: o coral depende de algas que fornecem até 90% de sua energia. O calor intensifica a produção de radicais oxigênio pelas algas, levando o coral a expulsá-las. O resultado é uma cor branca e um estado de estresse nutricional.

A gravidade depende da temperatura e da duração do aquecimento. Médidos como “semanas de aquecimento por grau” ajudam a quantifyar o estresse. Em torno de quatro grau-semanas há branqueamento; perto de oito, mortalidade generalizada.

O evento de 2014-2017 excedeu records anteriores em alcance e intensidade. Cerca de dois terços dos locais de recife apresentaram estresse suficiente para causar branqueamento. O patamar de dano foi superior ao de qualquer outro evento global.

A repetição de choques é particularmente prejudicial. Sobreviventes podem ter dificuldade de se recuperar antes do próximo episódio de calor, e a restauração da arquitetura do recife pode levar décadas ou nunca ocorrer, alterando comunidades de espécies.

A pattern global de danos

O branqueamento massivo costuma seguir padrões climáticos amplos, como o El Niño. No período 2014-2017, as maiores anomalias de calor surgiram no Pacífico Leste e se propagaram pelo Indo-Pacífico, chegando ao Oceano Índico e ao Caribe.

Nem todos os recifes reagem da mesma forma. Condições locais, como profundidade, correntes e impactos passados, influenciam a resiliência. Certas áreas atuam como refúgios temporários, outras são mais vulneráveis.

Perspectivas futuras e projeções

Modelos indicam que a situação tende a piorar sob cenários de altas emissões, com temporadas de branqueamento mais longas e início do estresse mais precoce. Em alguns locais, risco quase constante até o fim do século.

A quarta edição global de branqueamento começou no início de 2023, atingindo recifes em várias bacias oceânicas. O acompanhamento levanta preocupações de que os danos acumulados possam igualar ou superar o evento de 2014-2017.

Além do branqueamento, os recifes enfrentam outras ameaças combinadas. A acidificação dos oceanos reduz a disponibilidade de íons carbonato para a construção de esqueletos de coral, enquanto a pesca excessiva, poluição e construção costeira pressionam ecossistemas locais.

A importância dos recifes não se resume à biodiversidade. Eles ajudam a dissipar energia de ondas, protegendo praias e reduzindo erosões. O declínio dos recifes pode aumentar a vulnerabilidade costeira em várias regiões.

Para gerir a resiliência, gestores locais adotam estratégias como redução da poluição, manejo de pescas e proteção de espécies herbívoras. Áreas marinhas protegidas com foco em exposição climática visam sustentar populações mais resilientes.

A pesquisa e a inovação impulsionam abordagens de restauração, desde fragmentação de corais até estruturas artificiais. No entanto, escalonar esses esforços é desafiador, com custos elevados e sucesso variável frente ao aquecimento contínuo.

Iniciativas experimentais incluem evolução assistida, manipulação de microbiomas e técnicas para reduzir o estresse térmico. Especialistas destacam que essas ferramentas devem complementar, não substituir, reduções de emissões.

O panorama global depende fortemente de políticas climáticas. Em cenários de altas emissões, muitos recifes podem enfrentar branqueamento crônico; em cenários de menor aquecimento, ainda assim poderão ocorrer mudanças na composição de espécies, ainda que preservem ecossistemas funcionais.

Em síntese, o branqueamento de corais é um processo contínuo e regionalmente desigual, que já mostra degradação generalizada em várias regiões. A velocidade da mudança climática impõe desafios para a conservação, restaurando serviços ecológicos e o sustento de comunidades costeiras por décadas.

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