- Entre 2022 e 2024, uma em cada nove novas moradias na Inglaterra foi criada em áreas com potencial risco de inundação.
- Dos 396.602 novos imóveis registrados pela Ordnance Survey, 43.937 ficam em áreas de risco médio ou alto; 26% têm algum risco de inundação.
- A projeção aponta que, até 2050, 15% das casas construídas entre 2022 e 2024 estarão em risco médio ou alto, e quase 30% enfrentarão algum tipo de risco de inundação.
- Greater London e Essex são as regiões com maior share de imóveis novos em risco (32%), seguidas por Lincolnshire, East Yorkshire e áreas do noroeste.
- Aviva defende que o governo fortaleça as regras de planejamento e inclua medidas de resiliência, enquanto o governo afirma que as cifras não consideram defesas contra inundações existentes.
Segundo estudo, uma em cada nove casas novas na Inglaterra (2022-2024) foi construída em áreas com risco de inundação, apontam dados da Aviva. A pesquisa também mostra que o número de imóveis erguidos em zonas de risco está em alta, em comparação com 2013-2022, quando uma em 13 novas moradias ficava em áreas potenciais de alagamento.
Foram identificadas 396.602 novas viviendas registradas pela Ordnance Survey no período, das quais 43.937 ficam em áreas de risco médio ou alto de inundação. Além disso, 26% de novos lares apresentam algum nível de exposição a enchentes, segundo a análise.
Emma Howard Boyd, ex-presidente da Agência Ambiental e conselheira da Aviva em políticas climáticas, comenta que a meta governamental de construir 1,5 milhão de casas nesta legislatura pode pressionar o desenvolvimento em áreas com alto risco. Ela reforça a necessidade de cooperação entre Defra e o Ministério da Habitação para evitar comprometer proteções futuras de imóveis.
A Aviva estima que, até 2050, 15% das casas erguidas entre 2022 e 2024 estarão em risco médio ou alto de inundação, e cerca de 30% enfrentarão algum tipo de risco, conforme previsões de climatologia extrema. O governo afirma que a análise não leva em conta defesas contra cheias já existentes, ponto contestado pela seguradora.
Especialistas ressaltam que defesas de Londres, por exemplo, precisam de atualização urgente para reduzir vulnerabilidade. O estudo utiliza endereços de novas moradias cruzados com a avaliação de risco de inundação em nível de circunscrição, conforme dados da Environment Agency.
Em Londres e em Essex, a área com maior proporção de imóveis recém-construídos em áreas de risco (32%) foi seguida por Lincolnshire, East Yorkshire e regiões norte/ocidentais, com 13%. A região “leste” apresenta a menor parcela, com 2%.
No eixo regulatório, a Aviva defende mudanças: reduzir a presunção de aprovação para novos empreendimentos em zonas de alto risco e impor medidas de resiliência contra enchentes em construções novas. A seguradora também aponta que projetos atuais do Flood Re, que cobre seguros para moradias, deixam de fora imóveis construídos após 2009.
Um porta-voz do governo destacou que a análise não considera defesas, e garantiu planos de construir 1,5 milhão de casas sem comprometer a segurança, além de investimentos recordes de 10,5 bilhões de libras em projetos de enchentes até 2036.
A pesquisa também surge dias após investigações do Guardian sobre inundações que afetam milhões de residências na Grã-Bretanha e sobre a possibilidade de áreas inteiras se tornarem não seguráveis. A ABI, associação setorial de seguros, reforça a urgência de ações governamentais para evitar impactos crescentes de eventos climáticos extremos.
Entre na conversa da comunidade