- A restauração de ecossistemas pode, em alguns casos de curto prazo, aumentar o risco de zoonoses bem definidas, como hantavírus, após a mudança no habitat.
- O desmatamento e a mudança no uso da terra elevam o contato entre humanos e animais que transmitem doenças, exemplificado pela floresta atlântica do Brasil.
- Em contraste, a recuperação de áreas alagadas parece reduzir a transmissão de zoonoses quase que imediatamente, pois aves e peixes retornam mais rápido e podem controlar criadouros de insetos.
- A conclusão varia conforme o contexto: alguns estudos mostram aumento de risco a curto prazo, enquanto outros indicam estabilização a longo prazo com retorno de grandes animais.
- Pesquisadores criaram o Living Evidence Atlas para compilar dados existentes e embasar pesquisas futuras, destacando a importância de abordagens Integradas de saúde humana, animal e ecossistemas (One Health).
O desmatamento e mudanças no uso do solo podem acelerar a transmissão de doenças zoonóticas, incluindo síndromes como malária e COVID-19. A restauração de habitats é essencial contra a perda de biodiversidade, mas pode, em alguns contextos, elevar temporariamente esse risco.
O contato humano com animais que transmitem doenças aumenta com a ocupação de ambientes selvagens para desenvolvimento e agricultura. No Floresta Atlântica, no Brasil, pesquisadores observaram que mosquitos picavam mais humanos quando hospedeiros naturais diminuíam devido ao desmatamento.
Um grupo liderado por Adam Fell, da University of Stirling, realizou uma grande meta‑análise sobre a relação entre restauração e risco zoonótico. Foram pesquisados milhares de trabalhos, com 39 estudos considerados relevantes para a pergunta central.
Efeito de curto prazo da restauração
Em alguns casos, a recuperação de áreas degradadas acelerou a disseminação de zoonoses no curto prazo. Roedores costumam colonizar com rapidez áreas perturbadas, elevando a chance de vírus como o hantavírus acompanhar esse processo.
Ao mesmo tempo, a restauração de áreas úmidas mostrou redução imediata da transmissão de zoonoses. A hipótese é que aves e peixes retornam mais rápido, consumindo larvas de mosquitos e reduzindo vetores.
Perspectiva temporal e equilíbrio ecológico
A pesquisa aponta que, a longo prazo, ecossistemas tendem a estabilizar com o retorno de grandes herbívoros e predadores, que podem controlar roedores. No entanto, esse equilíbrio demanda anos ou décadas para ficar perceptível.
A equipe criou o Living Evidence Atlas para reunir dados existentes e favorecer novas pesquisas. Os autores destacam que a maior parte dos estudos ocorre em países ricos, enquanto a demanda por soluções é mais alta em nações em desenvolvimento.
Implicações para políticas de saúde ambiental
Especialistas ressaltam a importância de incorporar riscos zoonóticos em estratégias de restauração, alinhando saúde humana, animal e ecossistema. O conceito One Health ganha espaço, com ações integradas para prevenir novas pandemias.
O estudo reforça que proteger a biodiversidade, por meio de restauração cuidadosa, pode trazer benefícios para a saúde pública, desde que os impactos temporários sejam monitorados e gestão seja adaptativa.
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