- Foram identificadas 5.490 hotspots em áreas de peat claro em janeiro, segundo o Pantau Gambut, mesmo com a estação chuvosa em curso.
- O monitoramento oficial, com dados de satélite Terra/Aqua da Nasa, registrou 110 hotspots no país em janeiro de 2026, ante 29 em janeiro de 2025 e 18 em dezembro de 2025.
- Do total, 1.824 hotspots estão dentro de concessions de empresas, incluindo 1.617 em áreas de cultivo de palma, destacando o papel do drenagem de peat e desmatamento.
- As províncias mais atingidas foram West Kalimantan e Aceh, com 2.216 e 1.444 hotspots, respectivamente, gerando fumaça espessa em várias áreas.
- Especialistas destacam que o fogo em peat pode persistir mesmo com chuva fraca, devido à camada superficial seca e à drenagem, elevando o risco durante períodos de déficit de umidade.
O radar de queimadas aponta mais de 5 mil pontos de fogo em áreas de turfa na Indonésia em janeiro, mesmo com a temporada chuvosa em curso. Dados de pantau gambut indicam 5.490 hotspots em ecossistemas constantemente alagados que armazenam grande parte do carbono do país.
Observatórios oficiais também registraram aumento de hotspots, usando critérios distintos. Dados do NASA Terra/Aqua apontam 110 hotspots nacionais em janeiro de 2026, frente a 29 em janeiro de 2025 e 18 em dezembro de 2025. As duas séries não são diretamente comparáveis pelos filtros espaciais empregados.
Pantau Gambut ressalta que o crescimento, mesmo na temporada úmida, preocupa porque ocorreu em um período de chuvas intensas que provocou enchentes em Sumatra no fim de 2025. A organização associa o risco a hidrologia degradada e pressões de uso da terra.
Fatores que alimentam as queimadas
A turfa, com camadas de até alguns metros de profundidade, acumula matéria orgânica decomposta lentamente. Em Sumatra e Bornéu, dragas e canais para drenagem reduziram o nível de água, deixando vastas áreas inflamáveis expostas. Em janeiro, 1.824 hotspots ocorreram dentro de concessões de empresas exploradoras de petróleo, com 1.617 locais em plantações de óleo de palma.
Mais da metade dos pontos identificados — 3.266 — estão em ecossistemas de turfa protegidos para conservação e pesquisa, segundo Pantau Gambut. Os pesquisadores destacam que drenagem contínua e desmatamento para monoculturas seguem alimentando incêndios recorrentes.
Fogo e neblina na região
As fires atingiram principalmente West Kalimantan e Aceh, em Sumatra, com 2.216 e 1.444 hotspots, respectivamente. A região de Pontianak, capital de West Kalimantan, enfrenta neblina persistente desde janeiro, devido a ventos e à posição geográfica que acumulam fumaça de fogo de áreas vizinhas.
O aumento da fumaça já causou impactos à saúde local, incluindo casos de dificuldade respiratória. Em Mempawah, uma idosa de 67 anos faleceu em fevereiro por agravamento de asma agravada pela fumaça. Estudos associam a fumaça de turfa a partículas finas e gases tóxicos.
Restabelecimento e coordenação
Desde 2015, o Brasil lançou ações para reduzir incêndios em turfas, criando agências de restauração. A BRGM atuou até dezembro de 2024 e, desde então, a gestão da turfa ficou sem uma instituição específica, com a divisão entre ministérios do Ambiente e de Florestas, o que gerou fragmentação de coordenação.
Apesar da criação de um centro de manejo de turfa pela nova pasta ambiental em 2025, ainda há incertezas sobre a manutenção de infraestrutura de restauração e monitoramento em tempo real. Autoridades ressaltam a necessidade de integração entre setores para gestão de turfas, proteção de comunidades e prevenção de desastres.
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