- Dutos hidrelétricos no estado brasileiro do Amazonas reduziram até 90% as stocks de peixe em algumas áreas, segundo estudo com comunidades ribeirinhas.
- A construção da usina Santo Antônio, em 2008, diminuiu o fluxo natural do rio Madeira, que passa por Rondônia e Amazonas.
- Espécies como pirarucu, tambaqui e pirapitinga deixaram de ser comuns nas pescarias locais após a construção da hidrelétrica.
- Em comunidades ao longo do Madeira — Sossego, Trapicho, Lago do Caiarí e Santa Júlia — os pescadores passaram a percorrer maiores distâncias e buscar pontos diferentes para encontrar peixes.
- Pesquisadores planejam ampliar a coleta de dados para monitorar as stocks de peixe na região, em parceria com as comunidades locais.
O meio amazônico enfrenta queda acentuada na pesca após a construção de usinas. Estudos realizados em parceria com comunidades ribeirinhas indicam redução de até 90% nas populações de peixes em alguns pontos da região, incluindo o Rio Madeira. A barragem Santo Antônio, concluída em 2008, está no centro da análise.
A pesquisa envolveu mais de 100 pescadores e pesquisadores da Universidade Federal do Amazonas, com dados de captura diários entre 2009–2010 (antes da conclusão da obra) e 2018–2019 (após). Os autores atribuem declines a alterações no regime de vazão e à interrupção do fluxo natural do rio.
Mudanças na dinâmica de captura
Em comunidades ao longo do Madeira — Sossego, Trapicho, Lago do Caiarí e Santa Júlia, entre outras — a pesca passou a exigir deslocamentos maiores e buscas em locais mais variados. Relatos locais indicam que a disponibilidade de peixes caiu significativamente após a montagem das usinas.
Indígenas de áreas distantes da obra também relataram impactos semelhantes. Lideranças locais destacam que, há uma década, era possível capturar grandes quantidades em curto tempo; hoje, a pesca demanda oito a seis horas, com retornos baixos e peixe de menor tamanho.
Perspectivas e continuidade do monitoramento
O pesquisador principal, Igor Lourenço, reforça que a situação pode ter se agravado desde os levantamentos de 2018–2019. A equipe está implementando sistemática de coleta contínua de dados para acompanhar o estoque pesqueiro na região em parceria com as comunidades locais.
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