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Lobby de Blair com petróleo é versão enganosa da propaganda da indústria fóssil

Relatório do Tony Blair Institute defende mais petróleo no Mar do Norte, ignorando dados de que renováveis reduzem custos e emissões

A worker guides gas-drilling pipes on a rig.
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  • O Tony Blair Institute for Global Change (TBI) recomenda ampliar a produção de óleo e gás no Mar do Norte para abastecer data centers de IA, mesmo com emissões adicionais.
  • O relatório contesta a meta britânica de descarbonizar amplamente o setor elétrico até 2030, sugerindo que manter fósseis é necessário para a energia de IA.
  • O TBI recebe financiamento do governo da Arábia Saudita e tem doadores próximos a figuras like um aliado de Donald Trump, o que gera debates sobre conflitos de interesse.
  • O estudo afirma que energia renovável é cara, mas o custo de novos parques eólicos onshore e solares é significativamente menor que o de novas usinas a gás.
  • Analistas independentes dizem que ampliar a produção no Mar do Norte não reduzirá substancialmente as contas de energia, e que upgrades na rede são necessários em qualquer cenário.

O Tony Blair Institute for Global Change (TBI) divulgou um relatório que defende ampliar a produção de petróleo e gás no Mar do Norte e reduzir o ritmo de expansão de energias renováveis. A análise, de acordo com o texto, sustenta que isso seria necessário para sustentar centros de dados de IA e manter a segurança energética no curto prazo.

O relatório chega em meio a críticas sobre o papel de financiadores ligados ao Oriente Médio e a aliados de Donald Trump. Entre os doadores declarados, consta um grande investidor de tecnologia, com vínculos políticos e empresariais próximos a políticas de IA. A instituição já recebeu recursos do governo saudita e tem atuação próxima a regimes petroestatais.

O documento foi divulgado em um contexto de debates sobre a transição energética no Reino Unido. A equipe do TBI aponta a ampliação da produção no setor norte‑nelsoniano como caminho para reduzir custos de energia, ao mesmo tempo em que questiona o custo de renováveis. Alega também que metas de descarbonização podem atrasar investimentos tecnológicos.

Ao apresentar números, o relatório sustenta que a transição para fontes livres de carbono envolve despesas com redes elétricas e que os gastos deveriam ser repartidos entre governo, indústria e consumidores. Observa ainda que a energia renovável não seria barata o suficiente para substituir a geração a gás em todos os cenários.

Especialistas consultados contestam o foco do estudo. Analistas da área energética destacam que recentes licitações de energia eólicas e solares sinalizam quedas de preço expressivas. Dados de mercado indicam que novas plantas de vento e solar já oferecem tarifas bem menores que as de gás, o que pode reduzir contas para consumidores em anos futuros.

Pesquisadores e organizações de defesa do clima ressaltam que ampliar a produção de petróleo no North Sea tende a manter a dependência de combustíveis fósseis e pode não reduzir o custo da energia para famílias. Entidades ambientais apontam que ganhos em eficiência e rápidas mudanças tecnológicas têm mostrado efeito positivo sobre as tarifas.

Contexto e avaliação de impacto

A análise do TBI argumenta que manter produção de óleo e gás ajudaria a evitar choques de preço para consumidores. Críticos lembram que o Norte do Mar do Norte está em declínio e que, mesmo com exploração adicional, o país tende a importar gás em boa parte do futuro. A visão contrária é que o caminho mais rápido para reduzir tarifas é ampliar renováveis e melhorar a eficiência da rede.

Organizações ambientais destacam que a descarbonização gradual pode ocorrer sem elevar custos para o consumidor, desde que haja investimento em energias limpas e redes. Estudos independentes citados por críticos apontam que o custo de transição para renováveis tem caído nos últimos anos, tornando as opções mais competitivas.

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