- Suriname planeja desenvolver 113.465 hectares de floresta amazônica no distrito de Nickerie por meio de uma parceria público-privada entre o Ministério da Agricultura e a Suriname Green Energy Agriculture N.V.
- O acordo foi herdado do governo anterior e, segundo críticos, avançou sem licenças ambientais, gerando frustração entre agências regulatórias.
- Caso toda a área seja desmatada, o país poderia perder o status de emissão de carbono negativo e o acesso a créditos de carbono.
- Autoridades tentam cancelar o contrato controverso que pode permitir a limpeza de grande parte da floresta, com dúvidas sobre a aplicação de normas ambientais.
- Preocupações adicionais envolvem a contratação de membros de uma denominação cristã conservadora para trabalhar na área, aumentando temores de expansão agrícola em áreas florestais.
O governo da Suriname enfrenta críticas por planos de transformar 113.465 hectares de floresta tropical em área de agricultura industrial no distrito de Nickerie. A parceria público-privada, firmada em 2024 entre o ministério da Agricultura e a Suriname Green Energy Agriculture N.V., envolve uma empresa privada voltada a cana-de-açúcar, etanol e bioenergia. A área em questão fica no noroeste do país.
Segundo informações divulgadas, a framework legal já permite o desmatamento mesmo sem licenças ambientais formais. Isso ocorreu apesar de a área coincidir quase integralmente com concessões madeiras sujeitas a regras de manejo e sustentabilidade. Autoridades afirmam que a execução começou sem as licenças da Autoridade Nacional do Meio Ambiente (NMA).
Análises técnicas apontam que o desmate pode afetar o status de carbono negativo do país, algo que abriria espaço para perder créditos de carbono e beneficios associados. Especialistas destacam que a continuidade do desmatamento poderia prejudicar compromissos climáticos e fontes de água na região amazônica.
A Suriname Green Energy Agriculture contratou trabalhadores de comunidades Mennonitas para atuarem na área, o que reacende temores sobre expansão de assentamentos agrícolas em áreas florestais. As duas partes envolvidas não responderam a pedidos de comentário sobre as operações.
Officials de agências reguladoras discutem medidas para impedir avanços adicionais do projeto. A controvérsia envolve falhas na comunicação entre órgãos governamentais e o não cumprimento de protocolos ambientais padrão. A avaliação atual é de que a licença ambiental não foi obtida antes do início das atividades.
Histórico de disputas sobre grandes negócios agrícolas
Em 2023, o governo transferiu controle de mais de 500 mil hectares do órgão florestal para o Ministério da Agricultura, com a ideia de desenvolver projetos de agronegócio. Também houve propostas para transferir 30 mil hectares a famílias Mennonitas de Bolívia, que buscavam novas comunidades agrícolas. Críticas apontam que a Suriname mantém alto índice de cobertura florestal e um status de carbono negativo, que poderia ser comprometido.
A atual administração, liderada pela governante anterior, tem sido questionada por críticos que apontam a falta de reversão dessas operações. Organizações ambientais ressaltam que iniciativas de exploração agrícola em florestas primárias devem ser avaliadas com rigor. O Ministério da Agricultura não comentou o caso oficialmente. A Secretaria de Meio Ambiente também não respondeu aos contatos da reportagem.
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