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Bancos recusam financiamento de projeto de GNL na Papua-Nova Guiné

Vinte e nove bancos internacionais declaram não financiar o projeto de LNG na Papua Nova Guiné, citando impactos climáticos, ambientais e de direitos humanos

Canoe on the Purari River in 2011. Image by Hitchster via Wikimedia Commons (CC BY 2.0).
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  • Vinte e nove bancos internacionais e agências de crédito exportador recusaram financiamento para o projeto de LNG na Papua Nova Guiné, citando preocupações climáticas, ambientais e de direitos humanos.
  • O projeto é liderado pela TotalEnergies, que afirma que seguirá conforme planejado e que o financiamento não depende das instituições que rejeitaram.
  • Em dezembro de 2025, seis ONGs apresentaram uma queixa à Equator Principles Association, alegando que o projeto não atende aos padrões da organização.
  • O empreendimento fica nas províncias de Gulf e Central, com capacidade de exportação de 5,6 milhões de toneladas métricas por ano, até 11 poços, planta de processamento e 320 quilômetros de dutos, e emissão prevista de 220 milhões de toneladas de CO2 por ano.
  • TotalEnergies disse que o projeto está progredindo e que trabalha com autoridades, comunidades e economia local para ser exemplar do ponto de vista social e ambiental.

O anúncio de financiamento para o projeto de gás natural liquefeito (LNG) em Papua Nova Guiné tem mostrado divisões entre instituições financeiras. Ao todo, 29 bancos internacionais e agências de crédito à exportação recusaram participar do financiamento, citando preocupações climáticas, ambientais e de direitos humanos. A TotalEnergies, líder do empreendimento, afirma que o projeto seguirá conforme o planejamento.

Entre as instituições que anunciaram negativa de financiamento estão ING, KfW IPEX-Bank, Standard Bank, Crédit Agricole e BNP Paribas. A decisão ocorre após avaliações de risco reputadas por meio de padrões internacionais de responsabilidade financeira.

Em dezembro de 2025, seis ONGs internacionais apresentaram uma queixa formal à Equator Principles Association, entidade que orienta instituições financeiras na avaliação de riscos ambientais e sociais. A queixa argumenta que o projeto não atende aos padrões da EPA.

O projeto está situado nas províncias de Golfo e Central, com capacidade de exportação de até 5,6 milhões de toneladas de LNG por ano. O plano prevê até 11 poços, uma usina de processamento e 320 quilômetros de dutos terrestre e offshore.

Estimativas apontam emissão anual de cerca de 220 milhões de toneladas de CO2, volume comparável ao total de emissões da Espanha. Críticos ressaltam impacto potencial sobre a fauna local e ecossistemas frágeis da região montanhosa.

Conservacionistas destacam que a infraestrutura pode afetar cerca de 100 espécies ainda não estudadas, segundo Antoine Bouhey, da organização Reclaim Finance. Há preocupação com uma espécie de morcego, Bulmer’s fruit bat, classificada como de alto risco de extinção pela IUCN.

O processo de consentimento livre, prévio e informado para comunidades locais é apontado como falho. Segundo relatório de impacto de direitos humanos de 2019 encomendado pela empresa, o projeto afetará 39 aldeias e 12.700 pessoas, em sua maioria indígenas.

Outra preocupação é o traçado do duto offshore, que poderia perturbar o fundo do mar e a vida marinha. O traçado do duto terrestre também geraria impactos ao Purari River, segundo críticas de grupos civis.

Em resposta, a TotalEnergies afirmou que o projeto está alinhado a compromissos internacionais, incluindo os princípios da EPA e padrões da IFC. A empresa informou que o financiamento não depende dos bancos que recusaram o apoio.

A TotalEnergies afirmou ainda, por meio de comunicação enviada por e-mail, que o Papua LNG avança como programado. A companhia diz atuar junto a autoridades, comunidades locais e economia regional para assegurar padrões sociais e ambientais exemplarmente atendidos.

A posição de não financiamento não impede o andamento técnico do LNG. A empresa ressaltou que continuará a dialogar com partes interessadas para mitigar impactos. A situação continua sujeita a monitoramento de rivais e reguladores.

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