- O Ministério Público Federal em Pará denunciou a possível uso de força para remover povos indígenas das proximidades do terminal da Cargill em Santarém, na Amazônia.
- Promotores pedem a revogação imediata de uma ordem da Comissão Estadual de Segurança Pública em Portos que autorizava o envio de tropas policiais ao local.
- Afirmam que a presença policial pode ferir os indígenas e que o uso de força contraria decisão judicial que, em ação da Cargill, determinou negociações pacíficas.
- O governo federal informou que a dragagem do Tapajós é rotina para manter o tráfego no rio em períodos de pouca água, mas suspendeu contratações para a obra até um diálogo com as comunidades e uma consulta formal.
- Na sexta-feira, a Cargill confirmou bloqueios de trânsito de caminhões na porta do terminal, sem detalhar impactos; a empresa exportou mais de 5,5 milhões de toneladas de soja e milho por Santarém no ano passado, volume que representou mais de setenta por cento do total do porto.
Um órgão do Ministério Público Federal no Pará denunciou a possível uso de força para remover apoiadores indígenas das proximidades de um terminal portuário da Cargill, na Amazônia. A declaração foi publicada no fim da semana passada.
Os protestos ocorrem desde 22 de janeiro no portão do terminal de Santarém, no estado do Pará, contra o projeto de dragagem do rio Tapajós, que facilita o transporte de grãos por meio de balsas para exports via portos do norte.
Os procuradores solicitaram a imediata revogação de uma ordem da Comissão Estadual de Segurança Pública em Portos, que autorizou o envio de tropas policiais ao local. A atuação policial foi contestada por potencial dano aos povos indígenas, segundo o Ministério Público.
Segundo os procuradores, a intervenção policial exige ordem judicial prévia, e o uso de força contraria uma decisão judicial relacionada a uma ação movida pela Cargill. A empresa não comentou o assunto de imediato.
O governo federal afirmou que a dragagem é uma atividade rotineira para manter o fluxo de navegação em períodos de baixa cheia, mas informou que suspendeu a contratação de empresas para o trabalho no Tapajós até que haja diálogo com as comunidades indígenas e consulta formal sobre as obras.
Na semana anterior, a Cargill confirmou bloqueio de tráfego de caminhões no portão do terminal, sem detalhar outras informações. A companhia movimentou mais de 5,5 milhões de toneladas de soja e milho pelo Santarém no ano passado, conforme dados do setor portuário; esse volume representa mais de 70% do total de grãos processados na instalação.
Reportagem de Ana Mano, com trabalhos adicionais de Roberto Samora; edição de Nia Williams.
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