- Abandonedos FADs (dispositivos de agregação de peixes) chegam à Reserva Marina das Galápagos, com 277 relatos desde 2017, embora haja a certeza de que o número real seja superior.
- No contexto regional, cento e setenta e cinco barcos de pesca de atum usam FADs; 275 purse seiners, de 11 países, estão registrados na Comissão Interamericana de Conservação de Tunas do Pacífico Leste, que limita o número de bóias ativas por embarcação a 340.
- FADs apresentam riscos ambientais: liberam plástico ao se desintegrar, danificam recifes de coral e podem ferir ou matar aves, tartarugas, morsas e outras espécies.
- A recuperação é feita principalmente pela ONG TUNACONS, desde 2022, com retorno de cerca de 60 FADs; o programa paga aos pescadores entre 400 e 600 dólares por coleta, mas há críticas de que cobre apenas parte do problema.
- Soluções propostas incluem FADs biodegradáveis (EcoFADs) e cooperação regional, mas há questionamentos sobre a eficácia real, já que muitos componentes continuam a representar risco e não há rastreabilidade completa de proprietários.
SANTA CRUZ, GALÁPAGOS — Um dispositivo de agregação de peixes conhecido como plantado foi encontrado flutuando no Mar da Reserva das Galápagos, em meio a uma baleia em decomposição. O episódio evidencia o problema de FADs abandonados que chegam à área protegida.
Especialistas afirmam que o plantado funciona como atrativo para cardumes, aumentando a pesca com redes de arrasto. Em décadas, o uso de FADs cresceu globalmente, e a frota de atuns do Equador expandiu-se quase 50% nos últimos 25 anos, elevando o risco de deriva e descarte.
A detecção ocorreu após relatos de instituições locais e coleta de dados por equipes de pesquisa. O episódio ilustra a dificuldade de controlar o trânsito desses aparelhos entre frotas estrangeiras e a necessidade de monitoramento mais eficiente na região.
A escala do problema
FADs são plataformas flutuantes com redes por baixo e boias satelit), usadas para atrair peixes pequenos. Elas geram habitat para iscas, atraindo tubarões, tartarugas e outras espécies, além de facilitar a pesca com redes de cerco.
Ao todo, 275 barcos de cerco operam na região, com 11 países registrados na IATTC. Não há limite para o número de FADs por embarcação, apenas para as buoys ativas, o que resulta em dezenas de milhares de dispositivos usados anualmente no Pacífico Oriental, com o Equador entre os principais contribuintes.
Gestão e monitoramento
A retirada de FADs envolve custos elevados e logística complexa. Em 2022, a TUNACONS lançou um programa de recuperação em parceria com o parque nacional, pagando aos pescadores artesanais entre US$ 400 e US$ 600 por coleta. Até agora, o grupo recuperou cerca de 60 dispositivos.
Entretanto, críticos apontam que o programa atende principalmente FADs vinculados às frotas representadas pela organização, deixando muitos à deriva. Em alguns casos, apenas a boia é recuperada, com o restante permanecendo no mar.
Desafios regulatórios
Especialistas ressaltam que, embora existam propostas de banimento de FADs, a literatura sugere que melhorias na gestão ao fim de vida podem ser mais eficazes. A park authorities ainda não contam com mecanismo claro para responsabilizar proprietários por FADs que poluem a reserva.
O parque nacional utiliza informações de FADs encontrados para desenhar um plano de gestão e, se possível, cobrar custos de remoção dos proprietários. O desafio permanece: fazer a indústria reconhecer a responsabilidade pela recuperação e evitar o descarte inadequado.
Perspectivas futuras
Pesquisadores defendem ações regionais, como a parceria entre países da região para reduzir o impacto de FADs. A colaboração planeja ampliar a vigilância, recuperação e reaproveitamento desses dispositivos, reduzindo danos a espécies sensíveis e ao ecossistema coralino.
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