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Corais-de-fogo, únicos no Brasil, enfrentam extinção silenciosa

Corais-de-fogo endêmicos no Brasil sofrem branqueamento severo; risco de extinção silenciosa cresce com aquecimento global e impacto na biodiversidade

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Por Revisado por: Luiz Cesar Pimentel
Fotografia de um Colônia de Millepora nitida em Recife de Fora, sul da Bahia, parcialmente branqueada após onda de calor de 2023.
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  • Estudo recente indica que os corais-de-fogo brasileiros (genênero Millepora) estão em risco de extinção silenciosa devido ao branqueamento ligado ao aquecimento dos oceanos.
  • Desde 2019 até início de 2024, quatro espécies de Millepora no Brasil foram monitoradas, três delas endêmicas, com variação de intensidade do branqueamento conforme a localidade.
  • Millepora braziliensis, em Tamandaré, PE, registrou 100% de branqueamento e perda total de cobertura viva, sendo classificada como criticamente ameaçada pelo ICMBio.
  • Millepora nitida, em Porto Seguro, BA, apresentou 40% de branqueamento; Millepora alcicornis é mais abundante e já era monitorada; Millepora laboreli tem dados limitados pela difícil acesso ao Maranhão.
  • Os pesquisadores ressaltam que novas ondas de branqueamento podem empurrar essas espécies para a extinção; é preciso reduzir o aquecimento global, ampliar políticas de conservação de recifes e investir em restauração.

Um estudo inédito sinaliza que os corais-de-fogo do Brasil estão em risco de extinção silenciosa. As pesquisas, iniciadas em 2019, apontam que o branqueamento provocado pelo aquecimento global afeta de forma grave quatro espécies do gênero Millepora, endêmicas ou presentes apenas no país em determinados locais.

A investigação acompanha, de forma contínua, corais‑de‑fogo em diferentes regiões, com destaque para três espécies endêmicas. Entre elas, Millepora braziliensis, registrada na Área de Proteção Ambiental Costa dos Corais, em Tamandaré (PE), apresentou branqueamento de 100% e perda total de cobertura viva, sendo classificada como criticamente ameaçada pelo ICMBio. Em contrapartida, Millepora nitida, monitorada em Porto Seguro (BA), mostrou branqueamento de 40%.

A Millepora alcicornis, espécie presente no Caribe e no Brasil, apresentou maior abundância e já era acompanhada por estudos anteriores. Já Millepora laboreli permanece com dados limitados: ocorre apenas no Parcel do Manuel Luís, no Maranhão, área de acesso difícil, o que dificulta o acompanhamento. Informações de 2022 indicavam baixa quantidade de colônias, sem registros suficientes para confirmar um agravamento.

Os pesquisadores ressaltam que novos eventos de branqueamento devem intensificar o risco de extinção dessas espécies. A importância ecológica dos corais‑de‑fogo é destacada pela contribuição para a biodiversidade dos recifes e para o abrigo de diversas outras espécies, influenciando, inclusive, a pesca e o turismo regional.

Diante do cenário

A conclusão possível, segundo os cientistas, é a necessidade de frear o aquecimento global e adotar políticas públicas de conservação em áreas recifais, aliadas a pesquisas sobre estratégias de restauração. O estudo reforça a urgência de monitoramento contínuo das colônias, sobretudo das espécies endêmicas com distribuição restrita.

Ações de monitoramento e perspectivas

As autoridades ambientais destacam a importância de ampliar a vigilância em zonas de recife, com cooperação entre universidades, comunidades locais e órgãos de proteção. O objetivo é mapear rapidamente mudanças no branqueamento, identificar áreas prioritárias e orientar medidas de conservação.

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