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Kathy Jefferson Bancroft, guardiã de um lago roubado

Kathy Bancroft, guardiã de Owens Lake, influenciou políticas hídricas e participação tribal; faleceu em janeiro de 2026, aos 71 anos

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Por Revisado por: Luiz Cesar Pimentel
Kathy Jefferson Bancroft
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  • Kathy Jefferson Bancroft, guardiã do Owens Lake, morreu em 25 de janeiro de 2026 aos 71 anos, após décadas defendendo a valle sagrada e o direito à água.
  • Nascida e criada no Vale de Owens, dedicou-se a monitorar, junto ao Departamento de Água e Energia de Los Angeles, as ações de mitigação de pelos de poeira na porção exposta do lago.
  • Foi Oficial de Preservação Histórica Tribal para a Tribo Lone Pine Paiute–Shoshone, coordenando uma equipe que acompanha tudo o que ocorre na região.
  • Bancroft resistia a rótulos de ativista; sua atuação parte de conhecimento ancestral aliado a formação em biologia e química, buscando traduzir saberes indígenas e ocidentais para decisões mais amplas.
  • Defensora de que o vale fosse visto como espaço sagrado, não apenas como recurso, ela lutou contra mineração em Conglomerate Mesa, mitigação de poeira que removia encostas e exigiu participação tribal desde o início dos projetos.

Kathy Jefferson Bancroft, conhecida por defender Owens Lake, faleceu em 25 de janeiro de 2026 aos 71 anos. Sua atuação integrou a defesa de terras e águas da tribo Lone Pine Paiute–Shoshone, no interior da Califórnia, frente a obras de mitigação de poeira e projetos de mineração.

Ao longo de décadas, Bancroft ocupou papéis de liderança e fiscalização cultural. Seu trabalho acompanhou a evolução de políticas sobre a bedra de água e as responsabilidades com o patrimônio indígena, articulando saberes tradicionais e ciência moderna para defender o lago seco e seus arredores.

Nascida em Owens Valley, Bancroft relembrou histórias de sua avó sobre o Owens Lake, quando o lago ainda existia em plenitude. Em 2002, voltou à região para monitorar a obra de mitigação de poeira, supervisionando ações da Los Angeles Department of Water and Power no leito exposto.

Ela ocupou o cargo de funcionária responsável pela preservação histórica tribal, supervisionando uma equipe que monitora tudo o que acontece na região. A líder rejeitava rótulos simples e destacava falhas do processo institucional que tratavam o território como simples recurso.

Bancroft relatou episódios em que objeções formais foram ignoradas durante obras, levando a suspensões temporárias após mobilizações de membros da tribo e da comunidade local. Esse tipo de atuação ajudou a impedir decisões que considerava prejudiciais ao conjunto do vale.

Sua prática combinava observação de campo, formação em biologia e química e diálogo entre saberes indígena e ocidental. Ela costumava dizer que o objetivo era manter as decisões com uma visão de longo prazo, não apenas de projeto.

O lago Owens era para Bancroft mais que um espaço físico: era um lugar sagrado, com locais de importância cultural e dor histórica. Ela apontava a presença de sítios de massacre no leito e defendia sua preservação em vez de exploração arqueológica.

Além das disputas locais, Bancroft estabeleceu alianças com comunidades que compartilham memórias de injustiças históricas, como comunidades japonesas associadas aos pandas Manzanar. Para ela, o vale guardava múltiplas narrativas de dispossession que mereciam reconhecimento.

A defesa da água se deu em diferentes frentes: oposição a projetos de mineração na Conglomerate Mesa, fiscalização de ações de mitigação de poeira e pressão para que a participação tribal fosse central, não apenas decorativa. Esses movimentos marcaram sua atuação.

Ao enfatizar que “é uma lagoa, deveria ser uma lagoa”, Bancroft enfatizava uma visão de governança que respeita o tempo natural da água, independentemente de prazos, permissões ou rótulos institucionais.

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